30/01/2026

Letalidade policial sobe pelo 3º ano consecutivo em SP; homicídios e roubos caem em 2025

Por André Fleury Moraes/Folhapress em 30/01/2026 às 20:18

Reprodução
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O estado de São Paulo teve queda nos homicídios e aumento nas mortes provocadas pela polícia em 2025, terceiro ano de Tarcísio de Freitas (Republicanos) no cargo de governador. Houve alta nos furtos e redução nos roubos, mostram dados publicados pela SSP (Secretaria de Segurança Pública) nesta sexta-feira (30).

Foram 2.527 vítimas de assassinatos ao longo do ano, o que corresponde à média de um caso a cada três horas e meia, aproximadamente. Em comparação com 2024, trata-se de uma queda de 3,9%. A taxa de homicídios dolosos, de 5,46 por 100 mil habitantes, é a menor da série histórica iniciada em 2001.

É a terceira redução consecutiva nos registros de assassinatos no estado. São Paulo teve uma sequência de melhoras no índice a partir de 2013, o que foi interrompido nos anos de 2020 e 2022. O Brasil vive tendência de queda nos homicídios há nove anos e teve taxa de 17,1 casos por 100 mil habitantes em 2024, segundo os dados mais recentes do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

A cidade de São Paulo teve aumento no número de homicídios, quebrando uma sequência de quatro anos com melhoras nos índices. Foram 530 casos registrados no município, 6,4% a mais do que em 2024.

Os feminicídios chegaram ao recorde de 270 vítimas no estado de São Paulo, um aumento de 6,7% em relação ao ano anterior. Na capital paulista, foram registrados 60 feminicídios -alta de 22,4%-, o que também representa um recorde na série histórica iniciada em 2018.

Para Leonardo Silva, pesquisador sênior do FBSP (Fórum Brasileiro de Segurança Pública), a melhora nos números de homicídio tem várias explicações simultâneas. Ele cita o monopólio da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) em São Paulo e seus métodos de mediação de conflitos -a exemplo dos tribunais do crime-, além de políticas de prevenção e investigação dos crime.

No entanto, é difícil saber qual o peso de cada um dos fatores para a redução nos crimes. “O fato é que, ao longo dos anos, a estrutura de polícia judiciária em São Paulo não melhorou. A Polícia Civil está cada vez mais sucateada, e isso impacta a capacidade de solucionar crimes, inclusive homicídio”, diz Silva. “É um conjunto de fatores que compõem um ecossistema.”

As últimas edições do Atlas da Violência, pesquisa elaborada pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) e pelo FBSP, também têm destacado uma explicação demográfica para a queda de violência no país, que se aplica a São Paulo. O envelhecimento da população pode favorecer a diminuição de homicídios, segundo o estudo, uma vez que adolescentes e jovens adultos são aqueles que mais morrem no país.

O índice de mortes violentas intencionais -que considera também latrocínios, lesões corporais seguidas de morte e letalidade policial, além dos homicídios dolosos- seria ainda menor não fosse o aumento na quantidade de mortos em ações policiais.

Um total de 834 pessoas foi morta por policiais civis e militares, em serviço e de folga, ao longo de 2025. São 21 vítimas a mais do que no ano anterior -que já havia sido marcado pelas 56 mortes da Operação Verão na Baixada Santista, a ação mais letal na história da PM paulista desde o Massacre do Carandiru.

O último trimestre de 2025 teve a maior letalidade policial registrada na série histórica iniciada em 2015 -quando o estado começou a computar as mortes provocadas por PMs de folga com a mesma metodologia utilizada hoje.

Com isso, Tarcísio completou seu terceiro ano de mandato também com o terceiro aumento consecutivo na letalidade policial. Isso ocorreu mesmo sem uma megaoperação nos moldes da Escudo e da Verão, que tiveram tropas especializadas da PM enviadas ao litoral em resposta a mortes de agentes de segurança.

Entre os crimes patrimoniais, o estado teve diminuição de 16,7% nos registros de roubo. Foram quase 161,3 mil casos em 2025. Nesse caso, a capital seguiu a tendência, com 16,8 mil roubos a menos do que em 2024 -variação negativa de 14,6%.

A mesma tendência se reflete no caso de furtos e roubos de celulares, que caíram 5,9% no ano passado em relação a 2024. Foram 254.416 crimes do gênero registrados de janeiro a dezembro do ano passado ante 269.720 no período anterior.

Ao mesmo tempo, houve aumento nos furtos registrados na cidade de São Paulo: foram 250 mil ocorrências registradas no ano passado, 3,6% a mais em comparação com o período anterior. O estado teve melhora nesse índice, com quase 550 mil furtos –1,1% a menos do que em 2024.

Pesquisas apontam que, embora a variação das estatísticas sirva para observar as tendências criminais, roubos e furtos costumam ser altamente subnotificados. Levantamento feito pelo Datafolha a pedido do FBSP, no ano passado, mostrou que apenas 6 em cada 10 vítimas de roubo fazem o Boletim de Ocorrência.

Silva ressalta que, apesar da redução, a quantidade de registros de roubo segue em patamar elevado. O pesquisador diz que há uma adaptação da criminalidade às mudanças de comportamento da sociedade, e que quadrilhas têm se especializado em golpes digitais. Os roubos e furtos de celular são uma das portas de entrada para esse tipo de crime.

“Os roubos e furtos de celular ocorrem na cidade como um todo, é um crime democrático”, ele afirma. “As pessoas que saem de casa às 4h30, 5h da manhã nos extremos da capital também são alvo de roubos, especialmente nos pontos de ônibus.”

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