Governo Trump faz acordo com oposição para separar verba do ICE do orçamento federal e evitar paralisação
Por Folhapress em 30/01/2026 às 11:24
Democratas e republicanos no Senado dos Estados Unidos chegaram a um acordo nesta quinta-feira (29) para tentar evitar a paralisação do governo em meio a pressões para que a gestão de Donald Trump recue de medidas agressivas de migração após a morte de dois americanos em Minneapolis por agentes federais.
O acordo garante verba para o Departamento de Segurança Interna (DHS), pasta responsável pelo ICE e outras agências migratórias, por duas semanas, separando-o do orçamento federal total, o que aumenta o tempo para negociações entre o governo e seus rivais democratas.
Se mantido, o acordo permitiria ao Senado que agisse antes do prazo da meia-noite desta sexta-feira (30) para financiar boa parte do governo pelo restante do ano fiscal americano, evitando, assim, a paralisação. No ano passado, o governo Trump passou pela paralisação mais longa da história do país, encerrada em novembro.
Senadores esperavam votar o acordo ainda nesta sexta-feira, embora a ideia fosse aprová-lo ainda nesta quinta. Houve, no entanto, objeções de republicanos aliados de Trump. A Câmara ainda precisaria voltar deliberar sobre o texto após apreciação no Senado, o que reduz o tempo para evitar a paralisação se o texto não for aprovado, o financiamento do governo expira na manhã deste sábado (31) e a gestão entra em paralisação.
Trump se apressou para mudar a face de suas operações de imigração em Minneapolis após alerta de republicanos. Aliados dele no Congresso, que raramente o criticam, expressaram preocupação sobre as táticas sendo usadas e os objetivos da operação, afirmando que grandes mudanças eram necessárias.
Um dos republicanos que se opôs à rápida aprovação do acordo foi o senador Lindsey Graham, da Carolina do Sul, que chamou o acordo de “mau negócio”.
O presidente da Câmara, Mike Johnson, disse que o mais cedo que a Câmara poderia discutir o texto na segunda-feira (2).
“Podemos inevitavelmente estar em uma situação de breve paralisação”, disse Johnson a repórteres nesta quinta-feira. “Mas a Câmara vai fazer seu trabalho.”
O acordo veio depois que os democratas, mais cedo na quinta-feira, cumpriram sua promessa de se opor ao pacote de gastos, o que inclui US$ 64,4 bilhões para o DHS, bem como a uma série de agências governamentais, incluindo o Pentágono e programas de saúde. Todos os democratas se opuseram a avançar, assim como vários republicanos.
Após a morte de Pretti, congressistas do Partido Democrata afirmaram que não votariam em nenhum financiamento adicional para o DHS, como quer o governo, a menos que limites rigorosos fossem criados para restringir a atuação dos agentes de imigração. Eles exigiram que a parcela da segurança interna no orçamento fosse separada do resto do pacote de gastos enquanto tentam fechar um acordo com Trump para novas restrições à repressão imigratória do presidente.
“Este é o momento da verdade”, disse o senador Chuck Schumer, democrata de Nova York e líder da minoria, na quinta-feira. “O Congresso deve agir para conter o ICE e acabar com a violência.” Segundo o jornal The New York Times, Schumer e Trump começaram a negociar sobre o tema na quarta-feira (28).
Em publicação nas redes sociais, Trump endossou o acordo. Ele disse que “outra paralisação longa e prejudicial do governo” seria ruim para o país. “Com sorte, tanto republicanos quanto democratas darão um muito necessário voto bipartidário ‘SIM'” ao acordo, escreveu o presidente.
“Esta nação merece segurança e proteção, não outra paralisação do governo”, disse o senador John Barrasso de Wyoming, o republicano número 2 do Senado.
Entre as demandas dos democratas estão a proibição de que agentes de imigração usem máscaras e a exigência de uso de câmeras corporais e identificação visível.
Além disso, buscam o fim de operações ostensivas de imigração sem foco em indivíduos específicos, a obrigação de mandados judiciais para abordagens e buscas, e que agentes de imigração sigam os mesmos padrões de uso da força das entidades de segurança municipais. Os democratas também querem uma investigação independente das duas mortes em Minneapolis.
“Chega de polícia secreta”, disse Schumer. “A maioria republicana deve assumir a responsabilidade. Os republicanos no Congresso não podem permitir que este violento status quo continue. Eles devem trabalhar com os democratas na legislação legislação real.”
Alguns republicanos já estavam levantando objeções às demandas democratas, incluindo a proibição de máscaras.
“Estou preocupado com esses caras que estão sendo colocados em uma situação perigosa em multidões, onde se sabe que muitos vão apenas para pegá-los em flagrante”, disse o senador Thom Tillis, republicano da Carolina do Norte. “Eu apenas acho que isso é uma questão de segurança policial, e sou categórico em questões de segurança policial.”
O senador Tim Kaine, democrata da Virgínia, disse que acreditava que as restrições buscadas pelo seu partido seriam vistas pelo público como “razoáveis, populares e necessárias para reformar esses abusos grosseiros”.