Direitista vence eleição na Costa Rica com discurso linha-dura inspirado em Bukele
Por Folha Press em 02/02/2026 às 16:18
A cientista e ex-chefe de gabinete de Rodrigo Chaves, Laura Fernández, foi eleita neste domingo (1º) presidente da Costa Rica, com 48,7% dos votos. Integrante do PPSO (Partido Soberano do Povo), ela venceu com a promessa de dar continuidade ao governo em um país marcado pelo aumento da criminalidade, tema central da campanha.
Ao todo, 20 candidatos disputaram a Presidência. O segundo colocado foi Álvaro Ramos, do PLN (Partido da Libertação Nacional), com 33,18% dos votos. Ele também é ex-integrante do governo Chaves e chefiou o sistema de previdência social no início da atual gestão.
O aumento de assinatos no país fez a criminalidade ser a questão central da corrida presidencial. Em 2025, o índice de assassinatos no país chegou a 16,7 a cada 100 mil habitantes, um dos maiores já registrados e só um pouco menor do que o do Brasil em 2024, por exemplo. Foram 873 mortes, apenas três a menos do que no ano passado. O ano recordista é 2023, com 905 homicídios.
Cerca de 40% dos eleitores apontaram a violência como o maior problema do país, contra apenas 4% há quatro anos, quando Chaves foi eleito.
Abertamente simpatizante de Nayib Bukele, Laura recebeu a bênção do presidente de El Salvador durante a campanha. “Se a próxima gestão der continuidade aos projetos desse governo, não duvido que os melhores dias da Costa Rica estão por vir”, afirmou o salvadorenho em uma mensagem por vídeo divulgada pelo governo de Chaves em setembro.
Bukele parabenizou Fernández pela vitória. “Desejo o maior dos sucessos em seu governo e tudo de melhor para o querido povo irmão da Costa Rica”, escreveu ele em um post no X. Em seu discurso de vitória no domingo (1º), a presidente eleita disse que sua gestão “nunca” permitirá “o autoritarismo e a arbitrariedade”, mas que muadará as “regras do jogo político”, sem dar detalhes.
Fernández, herdeira política do presidente Rodrigo Chaves, é acusada por seus adversários de querer levar o país pelo caminho do autoritarismo com suas propostas de mão dura contra o narcotráfico e de reformas dos poderes do Estado.
“Eu, como nova presidente da República, não vou permitir nunca” o “autoritarismo” e a “arbitrariedade” que “ninguém quer” na Costa Rica, expressou entre vivas de seus apoiadores em um hotel da capital.
Autoridades locais atribuem a violência, entre outros fatores, a uma mudança na rota do narcotráfico internacional, que passou a usar a Costa Rica para armazenar cocaína proveniente da América do Sul antes de transportar a droga aos Estados Unidos e à Europa.
Para enfrentar o problema, Fernández aposta em conquistar a maioria dos 57 membros da Assembleia, cujos cargos também estavam em disputa neste domingo, com o objetivo de reformar a Constituição e intervir no Judiciário, que considera um entrave no combate ao crime organizado.
A história é conhecida. Foi a partir da conquista do Legislativo que Bukele destituiu juízes da mais alta corte salvadorenha e concentrou poder para levar a cabo a sua guerra contra gangues, constantemente criticada devido a denúncias de violações de direitos humanos e prisão de inocentes.
Conhecida pela neutralidade, a Costa Rica aboliu seu Exército em 1948 e se consolidou como um refúgio na América Central ao longo do século 20, quando seus vizinhos passavam por sangrentas guerras civis.
A despeito das críticas, Chaves continuou apostando em políticas linha-dura inspiradas em seu homólogo salvadorenho.
Em janeiro, o presidente começou a construção de um presídio nos moldes do Cecot (Centro de Confinamento do Terrorismo), famoso complexo para membros de gangues de El Salvador, em uma cerimônia com a presença de Bukele.