Advogado deixa a defesa de Daniel Vorcaro após rejeição de delação pela PF
Por Folha Press em 22/05/2026 às 16:31
O advogado que negociava a delação de Daniel Vorcaro, José Luis Oliveira Lima, o Juca, deixou a defesa do dono do Banco Master.
A saída acontece após a rejeição da delação pela Polícia Federal. As negociações continuam sendo feitas pela PGR (Procuradoria-Geral da República).
As primeiras versões dos anexos da colaboração foram entregues pela defesa de Vorcaro no último dia 6, mas investigadores da PF e da PGR consideraram fracas as informações que o ex-banqueiro pretendia fornecer.
Além disso, o relator dos inquéritos do Master no Supremo (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça, tem manifestado ceticismo quanto à viabilidade de validar o acordo.
A rejeição da proposta foi ao encontro do que ele já vinha dizendo desde o princípio da investigação: que dificilmente o dono do Banco Master será capaz de entregar informações adicionais àquelas que já foram obtidas de forma independente pelos investigadores.
Outros motivos estavam travando a delação de Vorcaro. Por exemplo, o entendimento de que ele teria que devolver, em um curto período, cerca de R$ 60 bilhões que causou em prejuízos, sob o risco de ter sua proposta de delação premiada recusada.
Vorcaro propôs às autoridades, segundo pessoas que acompanham as apurações, a devolução de cerca de R$ 40 bilhões em dez anos.
Juca é conhecido por ter firmado a delação de Léo Pinheiro, da OAS, na Operação Lava Jato. Ele também fez a defesa de outros grandes casos, como o do ex-ministro Walter Braga Netto na ação da trama golpista e do ex-ministro José Dirceu no caso do Mensalão.
Segue na defesa do ex-banqueiro o advogado Sérgio Leonardo, que conhece e é próximo a Vorcaro desde a juventude.
A negociação da delação de Vorcaro deve tramitar lentamente na PGR. Depende, por exemplo, de que o colaborador aponte detalhes dos episódios que devem ser relatados e de que a defesa consiga levantar documentos e outras provas que comprovem essas situações.
A continuidade da negociação não significa que a PGR irá aceitar a colaboração, mas que pretende aguardar os novos elementos apontados pelas defesas para decidir se dará continuidade ao procedimento.
Na noite da quarta-feira (20), a PF rejeitou o acordo do ex-banqueiro por considerar as informações apresentadas por Vorcaro como insuficientes.
A avaliação da PF é que os relatos feitos pelo ex-banqueiro não eram relevantes para justificar a colaboração e que não foram além das provas que já haviam sido obtidas nas apurações do caso.
Nos primeiros meses da operação sobre o Master e antes de iniciar as discussões sobre a negociação de uma delação premiada, Vorcaro montou um time de advogados estrelados para defendê-lo: além de Sérgio Leonardo, contava com Pierpaolo Bottini, Roberto Podval e Walfrido Warde.
Esses três últimos saíram e Juca ingressou no caso em março, com o objetivo de iniciar as discussões sobre o acordo.
Vorcaro está preso, de forma preventiva (sem tempo determinado), na Superintendência da Polícia Federal do Distrito Federal.