26/05/2026

Gigante no PSG, Marquinhos batalha para marcar seu nome também na seleção

Por Marcos Guedes (FOLHAPRESS) em 26/05/2026 às 19:08

Rafael Ribeiro/CBF
Rafael Ribeiro/CBF

Foi em um chute de Marquinhos na trave que se encerrou a campanha do Brasil na Copa do Mundo de 2022, no Qatar. O zagueiro relatou “um sentimento de tristeza, vergonha”, por ter falhado na disputa por pênaltis com a Croácia, nas quartas de final.

Quatro anos depois, o beque de 32 batalha para enterrar a má recordação e construir uma memória mais bonita na seleção. Dono da faixa de capitão, ele chega ao Mundial com moral por seu trabalho no Paris Saint-Germain, clube do qual se tornou uma figura enorme.

Há na história do time francês zagueiros mais técnicos, como Thiago Silva. Há jogadores mais queridos, como Raí. Mas ninguém foi tantas vezes campeão quanto Marquinhos, símbolo de uma era vencedora.

O defensor desembarcou na equipe em 2013, aos 19 anos -após um início promissor no Corinthians e uma breve passagem pela Roma. Encontrou uma agremiação em ascensão, que havia sido comprada em 2011 por um braço do reino do Qatar e, endinheirada, passado a enfileirar títulos.

O brasileiro participou de 38 conquistas, o que representa quase 65% de todas as glórias do clube, fundado em 1970. E ergueu o maior de todos os troféus, na última edição da Liga dos Campeões da Europa.

“Eu amo este clube”, bradou, ao levantar a taça. Ele pode repetir o gesto ao fim da decisão contra o Arsenal, no sábado (30), em Budapeste -e tornar-se o primeiro brasileiro capitão em dois títulos da Champions.

Hoje idolatrado pelos torcedores do PSG, que confeccionaram um bandeirão com seu rosto, ele teve dificuldades até ganhar o coração deles. Houve erros marcantes, lembrados em tom de desabafo no momento do triunfo no principal campeonato europeu.
“Foi muito difícil. A gente sofreu várias vezes com eliminações, falhei em alguns momentos, fui crucificado. Por isso, antes do apito final na decisão [5 a 0 sobre a Inter de Milão], eu comecei a chorar”, afirmou.

De acordo com aquele que é o atleta com mais partidas pelo time parisiense em todos os tempos, com 522, “as decepções dão experiência”. “São cicatrizes que ficam na carreira de um jogador”, observou.

A virada no clube leva Marquinhos a crer que o mesmo é possível na seleção brasileira. Ele já tem longa na história na formação nacional, porém não é querido pela torcida verde-amarela como é na França.

Convocado pela primeira vez em 2013, quando o técnico era Luiz Felipe Scolari, o paulistano não foi chamado para a Copa de 2014, no Brasil, mas ganhou espaço no ciclo seguinte e esteve na equipe que conquistou a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em 2016, sob comando de Rogério Micale.

Integrado por Tite ao grupo principal, esteve na Rússia no Mundial de 2018 e ganhou a vaga de titular no caminho para a disputa de 2022. Nesse período, participou de mais uma conquista em verde e amarelo, a Copa América de 2019, realizada no Brasil.
No Qatar, porém, sucumbiu com o time na derrota para a Croácia. “Aquela cicatriz ficará para sempre comigo em minha história e levarei essa responsabilidade”, disse, dias após a batida do pênalti que selou a eliminação.

Se houve críticas por parte da torcida, os técnicos que dirigiram o Brasil rumo ao Mundial de 2026 mantiveram sua confiança no jogador. No caótico ciclo atual, que teve como treinadores o interino Ramon Menezes, o quase interino Fernando Diniz e o breve Dorival Júnior, a posição de Marquinhos não foi colocada em xeque.

Essa situação também não mudou com a chegada de Carlo Ancelotti, há um ano. O italiano lhe deu confiança, manteve a faixa de capitão em seu braço e deixou claro que a dupla de zaga titular é formada por ele e por Gabriel Magalhães, do Arsenal, seu adversário na final da Liga dos Campeões.

Por causa da decisão europeia, os parceiros da defesa e também o atacante Martinelli, outro atleta do Arsenal, não vão se apresentar com o restante do grupo nesta semana na Granja Comary, em Teresópolis, nem participarão do amistoso de domingo (31), contra o Panamá, no Maracanã, no Rio de Janeiro.

Marquinhos vai se apresentar a Ancelotti já nos Estados Unidos, na próxima semana, possivelmente como bicampeão da Champions e pronto para celebrar também na seleção. Ele espera que, no fim de julho, o pênalti perdido contra a Croácia seja uma nota de rodapé em sua biografia.

E sonha que seu nome seja o sexto de uma lista que já tem Bellini, Mauro, Carlos Alberto, Dunga e Cafu, os capitães do penta.

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