Independência transforma a avenida em livro vivo e celebra 50 anos com desfile de fábulas
Por Rodrigo Cirilo em 07/02/2026 às 05:17
Encerrando a primeira noite de desfiles do Santos Carnaval 2026, na madrugada de sábado (7), a Mocidade Independência levou à Passarela do Samba Dráuzio da Cruz um verdadeiro livro encantado. Com o enredo No Reino das Fábulas… Era uma vez, o Encanto!, a escola cubatense celebrou seu jubileu de ouro transformando a avenida em um espaço de reflexão e poesia.
A comissão de frente abriu o desfile como quem folheia as primeiras páginas de uma obra mágica. Bailarinos deram vida a páginas vivas, enquanto o Grilo Falante, mascote da escola cinquentenária, surgia como mestre de cerimônias, guiando o público por histórias ao som delicado de seu violino.
Segundo o coreógrafo Everton Andrade, a proposta foi convidar o público a entrar nesse universo desde o primeiro passo dos 1,5 mil componentes em 12 alas.
“A comissão de frente faz a abertura do Livro Encantado. O Grilo é o personagem principal, responsável por apresentar todas as páginas vivas que aparecem ao longo do desfile. A ideia é que o público tenha a sensação de estar abrindo um livro e entrando nessa história”.

A irreverência, marca registrada da Mocidade Independência, se fez presente também no primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira. Gabriel Rodrigues, o Rouxinol Poeta, guardião do canto e da alma, e Andress Simpatia, a Rosa Encantada, símbolo do amor e da delicadeza, surgiram como poesia em movimento, traduzindo com leveza e elegância o espírito do enredo.
As fábulas da Independência
A primeira alegoria apresentou o Reino do Grilo Falante. Um grande livro aberto em relevo dominava o carro, cercado por borboletas dançantes e árvores com olhos atentos. Na sequência, alas coloridas deram forma a fábulas clássicas do imaginário popular, com animais como protagonistas de lições atemporais.
Passaram pela avenida A Raposa e as Uvas, O Pavão e a Gralha, O Galo e a Pérola e O Boi e o Sapo, este último arrancando reflexões sobre a ambição desmedida. A Corte das Fábulas costurou o setor, representando o próprio ato de contar histórias.
A bateria assumiu o papel de narradora rítmica do desfile. Vestida como o Grilo contador de histórias, marcou o tempo das lições com uma batida firme e brincante. Os passistas deram samba à clássica corrida entre A Lebre e a Tartaruga, enquanto A Cigarra e a Formiga trouxe à tona o dilema entre viver o presente e pensar no futuro. As baianas representaram A Galinha dos Ovos de Ouro, exaltando a sabedoria em contraponto à ganância.

O segundo carro alegórico, O Espelho das Fábulas, colocou o público diante de si mesmo. Um grande espelho giratório refletia rostos e pensamentos, reforçando a ideia de que as fábulas falam, sobretudo, sobre o comportamento humano. A partir desse ponto, novas histórias se desenrolaram na avenida: O Leão e o Rato; o segundo casal encarnando O Lobo e o Cordeiro, denunciando falsas justificativas para a maldade; além das alas O Burro com Pele de Leão e O Gato e os Ratos.
No terceiro casal, A Águia e a Coruja deram um tom sensível à narrativa sobre o amor que cega, enquanto a ala O Macaco e o Peixe marcou a última fábula contada pelo Grilo Falante naquele setor, encerrando mais um capítulo do livro encantado.
O desfile caminhou para o clímax com a última alegoria, A Morada da Sabedoria. Um castelo dourado, símbolo do jubileu da escola, erguia-se entre nuvens e estrelas. No topo, o Grilo Falante reapareceu em sua forma mística, cercado por cisnes, como guardião das histórias que atravessam gerações ao longo dos 50 anos de Independência.

O presidente da escola, Severino Batista, o Tataí, destacou a emoção de celebrar a trajetória da agremiação na avenida. “Vivemos um grande momento. São 50 anos de existência, de experiência e de muita luta. Esse desfile é muito especial para todos nós. Nada foi deixado ao acaso, tudo aconteceu conforme a nossa programação”.
Qual será a moral da história?
Ao final dos 53 minutos de desfile, a Mocidade Independência mostrou que fábula não é coisa do passado. Em pleno jubileu de ouro, deixou quem escutou o “cric-cric” do Grilo Falante refletindo um pouco mais sobre si mesmo.
Resultado da fusão entre a Independência do Casqueiro, maior campeã de Cubatão, e a Mocidade Dependente do Samba, a Mocidade Independência conquistou, em 2024, seu melhor resultado na elite santista, com um quarto lugar. Agora, embalada pelo encantamento das fábulas, a escola retorna à avenida em busca do título do Carnaval de Santos.
O Carnaval 2026, com transmissão multiplataforma do Sistema Santa Cecília de Comunicação, tem o patrocínio do Grupo Yamam, Pedra Baiana (Aparecida) e Sabesp. O apoio da Piso Lessa e Praiamar Shopping.