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Vamos falar sobre taças de vinho?

TAÇAS - Para iniciarmos esta conversa, devemos partir da premissa de que você é um amante dos vinhos e, como tal, deve ter pelo menos a percepção de que uma boa taça é algo importante para colaborar com a melhor experiência possível quando você abre uma garrafa desta preciosa bebida.

E, de fato, a taça realmente faz uma grande diferença. As mais prestigiadas marcas de taças de vinho do mundo investem muito tempo em pesquisa para desenvolverem aquelas que, em sua percepção, são as taças que melhor exaltarão a cor, a textura, o aroma e os sabores da bebida. Os designs diferem de uma para outra marca, mesmo entre as mais importantes do mercado, o que bem demonstra que não há uma certeza quanto a qual formato é realmente o ideal.

Para tentar me conectar com vocês, gostaria de dividir um pouco minha experiência com taças de vinho, sendo certo que é, nos dias de hoje, um dos principais objetos que eu gosto de comprar. De fato, preciso me policiar para não exagerar, até porque nem tenho mais onde guardar tantas taças. Mas já aviso que se eu ver uma nova que goste muito, dificilmente resistirei à tentação.

Bom. Comecei a apreciar vinho com cerca de dezenove anos de idade (até então, vinho para mim era algo que eu beberia, mas não apreciaria), sendo certo que nesta época vinho importado era uma raridade, predominando no mercado os vinhos brasileiros do sul do país, notadamente da Serra Gaúcha. Me lembro de pedir pizza e tomar com um merlot da vinícola Château Duvalier. A taça utilizada era a que tinha em casa, de boa qualidade, mas um produto cujo fabricante se preocupava mais com a estética do que com a obtenção de um resultado benéfico ao enófilo.

Foi muito mais pra frente que, por determinação (e não pedido) de alguns amigos com quem eu mantinha uma confraria quinzenal, sempre com os jantares sendo realizados em minha residência, que comprei minhas primeiras taças realmente adequadas para um amante de vinhos. As taças são (sim, no presente, pois as tenho até hoje, e figuram dentre minhas prediletas) da linha Sommelier, da marca Strauss (www.strauss.com.br), fábrica de Santa Catarina que chegou a decretar falência no passado, mas o maquinário, marca e domínio da internet foram adquiridos pela fábrica de porcelanas Oxford, que voltou a comercializar os excelentes produtos que sempre foram feitos. Minhas aquisições, à época, limitaram-se aos modelos Brunello di Montalcino e Chardonnay, por se tratar de dois coringas para vinhos tintos e brancos.

Com o tempo fui adquirindo novas marcas e modelos. Primeiro da alemã Spiegelau, que muito embora seja produtora de cristais há séculos, ganhou imensa qualidade a partir de sua aquisição por uma austríaca, a Riedel. Depois de minhas taças alemãs, parti para a aquisição de alguns modelos da Schott Zwiesel (https://unternehmen.zwiesel-kristallglas.com/en/cms/), germânicas tanto quanto as anteriores, com destaque para suas taças com titanium, que prometem ser mais resistentes à quebra, e de fato são. Na sequência, me deparei em Campos do Jordão com algumas taças de champagne da marca Ritzenhoff (www.ritzenhoff.com), também alemãs, que gostei pelo formato, apesar de não ser exatamente o que eu estava procurando à época para estes tipos de vinhos, mas as uso muito. Da mesma marca, adoro as taças de vinho branco.

Foram as taças da Riedel (www.riedel.com), entretanto, que me levaram a uma qualidade muito superior. A fabricante austríaca produz cristais há séculos, e dedica-se demais a encontrar a melhor solução para cada tipo de vinho. São mais de 400 tipos de taças. A empresa familiar, que já se encontra em sua 11ª geração (hoje sob o comando de Maximilian Josef Riedel), aposta realmente numa imensa variedade de produtos, não só para diferentes tipos de vinhos, como para diferentes ocasiões, também. Recentemente lançou a linha Wine Wings (taças da foto acima), com três taças para vinhos brancos (Chardonnay, Sauvinon Blanc e Riesling), três para tintos (Cabernet Sauvignon, Pinot Noir/Nebbiolo e Syrah) e uma para Champagne. A Riedel disponibiliza ao mercado taças feitas à mão e taças feitas em máquinas super modernas e com grande precisão, mas que, claro, perdem um pouco do charme do produto fatto a mano.

Numa viagem à França, mais especificamente à região de Champagne, anos atrás, passei a me deparar com taças de vinhos desta natureza muito diferentes. Mais bojudos e com a boca estreita do que as taças que até então eu já tinha me deparado, foi justamente no lugar certo que fui me informar sobre elas. Almoçando com minha esposa no restaurante Le Parc, do Hotel Les Crayères, que fica exatamente entre as vinícolas Veuve Cliquot e Pommery, em Reims, obtive a informação de que as taças com as quais eu tinha me deparado eram da Lehmann Glass (www.lehmann-sa.com), da própria cidade, e quem desenvolveu aquele design foi Philippe Jamesse, o sommelier deste restaurante de duas estrelas Michelin. Jamesse encontrou aquele que seria o melhor design para que o champagne pudesse expressar todo o seu potencial. Naquela oportunidade não consegui adquirir as taças, mas as encontrei no Brasil, posteriormente. E me arrependo de não ter comprado mais, pois nunca mais as localizei, apesar de ainda estarem anunciadas em sites (sempre sem estoque). As coleções são belíssimas, e certamente ainda terei outras taças desta marca esplêndida.

Mas para alguns, a cereja do bolo ainda está por vir. A austríaca Zalto (www.zaltoglas.at) é considerada por muitos a melhor do mundo, e, no mínimo, rivaliza ombro a ombro com as da Riedel. Atualmente são importadas para o Brasil pela Clarets (www.clarets.com.br). Diferentemente da Riedel, a Zalto tem um portfólio bem pequeno, destacando-se as taças Burgundy e Bordeaux, além da coringa Universal, que serve realmente para todos os vinhos (brancos, tintos e espumantes) sem comprometê-los. A delicadeza destas taças é algo indescritível por meio de um artigo. São todas feitas à mão. Todavia, quem não tem muito cuidado com uma taça é bom pensar duas vezes antes de comprar uma Zalto.

Taças excepcionais são caras. É um investimento. Se você ainda não está disposto a pagar muito caro nelas, comece pelas Schott Zwiesel, que têm excelente preço. Tente pelo menos ter quatro tipos: Bordeaux, Borgonha, Brancos e Espumantes. Os dois primeiros te permitirão beber todos os tipos de tintos sem enormes comprometimentos.

Quanto aos espumantes, aquelas típicas taças denominadas flute têm sido abominadas pelos apreciadores mais contundentes, muito embora sejam as que as pessoas mais adquirem. A tulipa (taça com bojo mais largo e estreitamento na boca) tem sido a mais recomendada, mas há quem diga que a taça de vinho branco se mostra ideal para beber espumantes. Muitas marcas de taças de cristais, como a Riedel, por exemplo, têm lançado taças para espumantes com formatos próximos daquelas utilizadas para brancos e tintos. Cumpre anotar que, para champagnes mais complexos e os safrados, a taça de vinho branco realmente permite que se obtenha melhor resultado na percepção dos aromas e manutenção do perlage (as borbulhas).

Agora é só correr para adquirir suas taças ideais e, voltando para casa, abrir um grande vinho para inaugurá-las. Tome cuidado com a manutenção das taças. Porém, este tópico ficará para uma próxima conversa. Santé! 

 

 

  • Publicado por: Fernando Akaoui
  • Postado em: terça-feira, 09 jun 2020 07:27Atualizado em: terça-feira, 09 jun 2020 08:28

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