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O inverno chegou: qual vinho beber?

O inverno finalmente chegou. E com ele, para os amantes do vinho, vem sempre a pergunta: que vinho beber? A resposta quase que automática é: vinho tinto. Há quase que uma crença no sentido de que vinhos brancos, rosados e espumantes devem ser bebidos no verão e vinhos tintos no inverno. Então, pergunto: só devemos tomar sorvete no verão?

A harmonização do vinho com determinados pratos não depende da estação do ano, pois ela não se tornará ideal em razão da temperatura do ambiente, e sim em razão de elementos da culinária que vão ou não melhor se adequar ao que você vai beber. Assim, um peixe leve não vai harmonizar com um vinho encorpado, porque do lado de fora do restaurante está zero grau. Assim como uma massa com molho à bolonhesa não vai combinar com um vinho branco.

Mas o artigo não tem a intenção de entrar no assunto geral de harmonização de vinhos com comida, e sim verificar alguns pratos típicos de inverno e quais vinhos são, em tese, ideais para pareá-los. Quando digo, em tese, quero deixar a porta aberta para harmonizações que estejam mais de acordo com o gosto pessoal de cada um. Algumas pessoas, por convicções ou gostos pessoais não aceitam tomar determinados tipos de vinhos. Particularmente acho que todos devemos insistir em provar todos os tipos de vinhos, pois muitas vezes há certo pré-julgamento em relação a alguns deles e assim, ou nem os provamos ou quando provamos já estamos predeterminados a deles não gostar. Ser eclético em termos de vinhos e comidas facilita muito nossa vida, e nos permite conhecer sabores que podem se tornar nossos prediletos.

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Quando o frio aparece, com ele vem aquela vontade louca de comer fondue. É quase um clichê, mas é uma delícia. E, dentre os tipos mais apreciados (há várias versões) estão os de queijo, carne e chocolate.

Para a fondue de queijo, recomenda-se um vinho branco seco, sendo os mais indicados o Sauvignon Blanc, o Riesling (aqui se deve tomar cuidado para que seja um bem delicado, nada doce, o que é bastante comum nos Riesling alemães – há, claro, os mais secos, que, aliás, estão entre os melhores do mundo, juntamente com os da Alsácia), o Pinot Grigio e até um Chardonnay (geralmente recomenda-se um que não tenha grande estágio em barrica de carvalho, mas na minha concepção isso vai muito do gosto pessoal). Na verdade, o que se busca evitar são vinhos brancos muito frutados. Os mais minerais combinam melhor.

Já para harmonizar com a fondue de carne, há que se ter certo cuidado com os molhos que serão utilizados, pois eles podem dificultar. Em geral recomenda-se um Cabernet Sauvignon, Merlot ou Malbec leves. São vinhos de média estrutura e podem casar bem com molhos menos picantes. Mas também são recomendados, e aí está a minha preferência, espumantes brut. Parece algo inusitado, mas a combinação é excelente.

Por fim, a fondue de chocolate, um filme de terror para aqueles que se dedicam ao vinho, pois entendem que o chocolate tem um sabor e textura que podem “matar” o vinho. Daí se recomendar um vinho que tenha doçura igual ou superior ao do chocolate (superior não é nada fácil), tais como os Porto e Sauternes.

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Sopas e cremes são outros pratos que passam a ser muito mais consumidos no inverno, nos dando aquela sensação de conforto e esquentando o corpo. A pergunta que fica, é: dá para harmonizar com vinhos? E a resposta: claro! Vamos a alguns exemplos.

O caldo verde e outras sopas que levam carne podem ser harmonizados com um vinho com corpo médio, boa fruta e boa acidez, tais como Malbecs que não sejam tão estruturados, um Merlot brasileiro, um Chianti ou um Cabernet Sauvignon chileno.

Nossa tão usual sopa de feijão, em razão dos temperos e textura, pede um pouco mais de acidez e nada tão frutado (pode ser frutado, mas não aquela explosão de frutas frescas, pois a sopa vai se sobrepor demasiadamente ao vinho) como um Carmenère chileno ou um Barbera ou Dolcetto do Piemonte.

Um creme de abóbora (clássico da cozinha inglesa) casa muito bem com vinho branco, como Chardonnay do novo mundo, bem frutado ou um Torrontés (há bons exemplares argentinos e uruguaios).

A sopa de cebola (na receita francesa, com pão e queijo gruyère ou ementhal), tem uma boa harmonização com vinhos mais leves e elegantes, tais como os Beaujolais (veja nosso artigo sobre estes vinhos no blog), um Pinot Noir ou, até, um Cabernet Franc (a Argentina tem produzido grandes exemplares desta casta, valendo anotar o Gran Enemigo, da Bodega Aleanna / El Enemigo, que tem Alejandro Vigil como enólogo.

Uma sopa de legumes, tão comum no dia a dia das casas brasileiras no inverno, pode ser harmonizada com um Pinot Noir, um Merlot ou com um vinho Rosé.

Estes pratos de inverno obviamente não anulam o fato de que continuamos a consumir alguns que estão presentes na vida dos brasileiros durante todo o ano, como massas com molhos pesados (brancos e vermelhos), carnes e pizzas, cujas harmonizações são mais conhecidas.

Agora é só encarar o frio com a mente mais aberta, consumindo espumantes, brancos e tintos de acordo com os pratos a serem consumidos.

Saúde!!!!

 

 

  • Publicado por: Fernando Akaoui
  • Postado em: quarta-feira, 01 jul 2020 11:39Atualizado em: quarta-feira, 01 jul 2020 11:40

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