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O inverno chegou: qual vinho beber?

O inverno finalmente chegou. E com ele, para os amantes do vinho, vem sempre a pergunta: que vinho beber? A resposta quase que automática é: vinho tinto. Há quase que uma crença no sentido de que vinhos brancos, rosados e espumantes devem ser bebidos no verão e vinhos tintos no inverno. Então, pergunto: só devemos tomar sorvete no verão?

A harmonização do vinho com determinados pratos não depende da estação do ano, pois ela não se tornará ideal em razão da temperatura do ambiente, e sim em razão de elementos da culinária que vão ou não melhor se adequar ao que você vai beber. Assim, um peixe leve não vai harmonizar com um vinho encorpado, porque do lado de fora do restaurante está zero grau. Assim como uma massa com molho à bolonhesa não vai combinar com um vinho branco.

Mas o artigo não tem a intenção de entrar no assunto geral de harmonização de vinhos com comida, e sim verificar alguns pratos típicos de inverno e quais vinhos são, em tese, ideais para pareá-los. Quando digo, em tese, quero deixar a porta aberta para harmonizações que estejam mais de acordo com o gosto pessoal de cada um. Algumas pessoas, por convicções ou gostos pessoais não aceitam tomar determinados tipos de vinhos. Particularmente acho que todos devemos insistir em provar todos os tipos de vinhos, pois muitas vezes há certo pré-julgamento em relação a alguns deles e assim, ou nem os provamos ou quando provamos já estamos predeterminados a deles não gostar. Ser eclético em termos de vinhos e comidas facilita muito nossa vida, e nos permite conhecer sabores que podem se tornar nossos prediletos.

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Quando o frio aparece, com ele vem aquela vontade louca de comer fondue. É quase um clichê, mas é uma delícia. E, dentre os tipos mais apreciados (há várias versões) estão os de queijo, carne e chocolate.

Para a fondue de queijo, recomenda-se um vinho branco seco, sendo os mais indicados o Sauvignon Blanc, o Riesling (aqui se deve tomar cuidado para que seja um bem delicado, nada doce, o que é bastante comum nos Riesling alemães – há, claro, os mais secos, que, aliás, estão entre os melhores do mundo, juntamente com os da Alsácia), o Pinot Grigio e até um Chardonnay (geralmente recomenda-se um que não tenha grande estágio em barrica de carvalho, mas na minha concepção isso vai muito do gosto pessoal). Na verdade, o que se busca evitar são vinhos brancos muito frutados. Os mais minerais combinam melhor.

Já para harmonizar com a fondue de carne, há que se ter certo cuidado com os molhos que serão utilizados, pois eles podem dificultar. Em geral recomenda-se um Cabernet Sauvignon, Merlot ou Malbec leves. São vinhos de média estrutura e podem casar bem com molhos menos picantes. Mas também são recomendados, e aí está a minha preferência, espumantes brut. Parece algo inusitado, mas a combinação é excelente.

Por fim, a fondue de chocolate, um filme de terror para aqueles que se dedicam ao vinho, pois entendem que o chocolate tem um sabor e textura que podem “matar” o vinho. Daí se recomendar um vinho que tenha doçura igual ou superior ao do chocolate (superior não é nada fácil), tais como os Porto e Sauternes.

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Sopas e cremes são outros pratos que passam a ser muito mais consumidos no inverno, nos dando aquela sensação de conforto e esquentando o corpo. A pergunta que fica, é: dá para harmonizar com vinhos? E a resposta: claro! Vamos a alguns exemplos.

O caldo verde e outras sopas que levam carne podem ser harmonizados com um vinho com corpo médio, boa fruta e boa acidez, tais como Malbecs que não sejam tão estruturados, um Merlot brasileiro, um Chianti ou um Cabernet Sauvignon chileno.

Nossa tão usual sopa de feijão, em razão dos temperos e textura, pede um pouco mais de acidez e nada tão frutado (pode ser frutado, mas não aquela explosão de frutas frescas, pois a sopa vai se sobrepor demasiadamente ao vinho) como um Carmenère chileno ou um Barbera ou Dolcetto do Piemonte.

Um creme de abóbora (clássico da cozinha inglesa) casa muito bem com vinho branco, como Chardonnay do novo mundo, bem frutado ou um Torrontés (há bons exemplares argentinos e uruguaios).

A sopa de cebola (na receita francesa, com pão e queijo gruyère ou ementhal), tem uma boa harmonização com vinhos mais leves e elegantes, tais como os Beaujolais (veja nosso artigo sobre estes vinhos no blog), um Pinot Noir ou, até, um Cabernet Franc (a Argentina tem produzido grandes exemplares desta casta, valendo anotar o Gran Enemigo, da Bodega Aleanna / El Enemigo, que tem Alejandro Vigil como enólogo.

Uma sopa de legumes, tão comum no dia a dia das casas brasileiras no inverno, pode ser harmonizada com um Pinot Noir, um Merlot ou com um vinho Rosé.

Estes pratos de inverno obviamente não anulam o fato de que continuamos a consumir alguns que estão presentes na vida dos brasileiros durante todo o ano, como massas com molhos pesados (brancos e vermelhos), carnes e pizzas, cujas harmonizações são mais conhecidas.

Agora é só encarar o frio com a mente mais aberta, consumindo espumantes, brancos e tintos de acordo com os pratos a serem consumidos.

Saúde!!!!

 

 

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  • Publicado por: Fernando Akaoui
  • Postado em: quarta-feira, 01 jul 2020 11:39Atualizado em: quarta-feira, 01 jul 2020 11:40
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Os vinhos do Líbano

Para compreendermos o vinho libanês, precisamos entrar um pouco na rica história deste belíssimo país, que tantos descendentes deu ao Brasil

O Líbano é um país pequeno, cuja primeira ocupação histórica remonta aos fenícios, que por mais de 2.500 anos dominaram a região (notadamente os territórios do que hoje são o Líbano e a Síria), mas que também passa pelos gregos (Alexandre O Grande integrou a região à civilização helenística), egípcios, Império Selêucida (Seleuco era um dos generais que serviram a Alexandre e, com sua morte, acabou se tornando imperador de uma porção de terras, que ia do Mar Egeu até o atual Afeganistão, sendo considerado o maior e mais poderoso império da época), Império Romano (até hoje o Líbano tem exemplares importantíssimos da arquitetura romana) e Império Bizantino (que disseminou o cristianismo na região). Com a conquista da região pelos povos árabes já convertidos ao islamismo, por volta do Século VII, a região passou a adotar a língua e a religião, apesar de ainda haver uma minoria de cristãos e judeus. Por volta do Século XIV os turcos otomanos conquistaram a região, sendo que ao final do Século XIX e começo do Século XX, iniciou-se uma perseguição étnica e religiosa que fez com que muitos libaneses fugissem para outros países do mundo, dentre eles o Brasil, como acima anotado. Ao fim da Primeira Guerra Mundial, que redundou, também, na queda do Império Otomano, a região foi ocupada pela França e Reino Unido, mas, após tratados entre estes países, o país foi posto sob proteção francesa, até que em 1926 foi criada a República Libanesa, sendo ela, entretanto, ocupada durante a Segunda Guerra Mundial pela França. A independência veio em 1943, com uma grande prosperidade econômica ao país, que passou a ser conhecido como a Suíça do Oriente. Em meados de década de 1970, porém, o país se viu mergulhar em uma guerra civil violenta, tendo de um lado os cristãos e de outro os muçulmanos, e que durou uma década e meia. Atualmente o país vive um bom momento, apesar das graves tensões provocadas por guerras em países vizinhos, e que sempre ameaçam a estabilidade.

Essa digressão é relevante, pois registros arqueológicos dão conta de que os fenícios começaram a plantar uvas e produzir vinhos na região cerca de 3.000 anos a.C. E, os povos que os sucederam eram, também, grandes consumidores da bebida, o que nos dá a certeza de que o plantio e produção não retraíram, ao menos até o domínio muçulmano...

Daí termos um vácuo na história da vitivinicultura libanesa, que volta a se firmar a partir de 1930, com a fundação do Château Musar por Gaston Hochar, e que eleva o vinho libanês a um outro patamar, abrindo as portas para que outras vinícolas se estabelecessem e passassem a produzir vinhos de alta qualidade. Hoje estima-se haja cerca de 40 vinícolas no país, além de muitos outros produtores que vendem suas uvas para as vinícolas e para os produtores de arak (as mais importantes vinícolas também o produzem), bebida destilada típica da região e com sabor de anis.

Neste contexto é que a indústria vitivinícola se estabeleceu e se desenvolve com muita eficiência no Líbano, notadamente na região do Vale do Bekaa (a maior região administrativa do país) e proximidades. Estas regiões ficam, em sua maioria, entre duas cadeias de montanhas, a saber, o Monte Líbano e o Monte Antilíbano.

As regiões dedicadas à produção de uvas viníferas estão muito próximas da capital Beirute, que se encontra à beira do Mar Mediterrâneo, e chegam a ter plantio em áreas localizadas a 1.800 metros acima do nível do mar, sendo considerados vinhedos em maior altitude no mundo.

A geografia das regiões de plantio colabora muito para a qualidade das uvas, sendo certo que de dia há muito sol, enquanto as temperaturas caem significativamente durante a noite, principalmente nos vinhedos localizados em grandes altitudes.

As principais vinícolas do país, e que contam com importação para o Brasil, são Château Musar, Château Krefrya, Château Ksara e Ixsir. No que tange às castas utilizadas, apesar do Líbano ter suas cepas autóctones, as francesas dominam a maioria dos vinhedos.

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Château Musar
Esta vinícola, localizada na cidade de Ghazir, região administrativa (distrito) de Keserwan, a apenas 24 Km de Beirute, é responsável por grande parte do sucesso mundial alcançado pelos vinhos libaneses, fruto da obstinação de Gaston Hochar, que, aos 20 anos de idade, decidiu produzir vinhos de qualidade no Líbano, impressionando os oficiais do exército francês que, à época do início das atividades da vinícola, ainda promoviam a ocupação da região, cujas fronteiras ainda não haviam sido delineadas, e que era objeto de preocupação do jovem empresário.

O filho mais velho de Gaston, Serge Hochar, que desde cedo trabalhou na vinícola, ao retornar de seus estudos na prestigiada Universidade de Enologia de Bordeaux, em 1959, pediu ao pai para assumir a vinícola, pois queria fazer vinhos que fossem reconhecidos mundialmente, e, contando com a aquiescência do genitor, passou a comandar a produção da vinícola, enquanto seu irmão mais novo, Ronald, assumiu a parte comercial e de marketing. Vale anotar que Serge foi eleito em 1984 o primeiro “Homem do Ano” da revista Decanter, que passou a entregar desde então essa menção honrosa a grandes personalidades do mundo do vinho, anualmente.

Hoje a terceira geração dos Hochar já trabalha na empresa, que produz algumas joias da vitivinicultura mundial, como o Château Musar Red, o ícone da vinícola, um blend de Cabernet Sauvignon, Carignan e Cinsault provenientes de dois vinhedos localizados no Vale do Bekaa (Aana e Kefraya) com solos de cascalho sobre calcário. Da mesma linha, o Rosé e o Branco são dois vinhos especiais.

A vinícola ainda produz o excelente segundo vinho da casa, Hochar Père et Fils Red, que também é um blend, todavia utilizando-se das castas Cinsault, Grenache, e Cabernet Sauvignon, provenientes de um único vinhedo localizado na vila de Aana, no Vale do Bekaa, com solos profundos sobre calcário.

Há, ainda, a linha de entrada, o Musar Jeaune, um vinho jovial, como o próprio nome estabelece, fácil de beber, e que procura atrair um público menos preocupado com a complexidade, muito embora não abra mão da qualidade. Os vinhos do Château Musar são importados pela Mistral Vinhos (www.mistral.com.br).


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Chateau Kefraya
A história desta vinícola remonta a 1946, quando Michel de Bustros começa a construir a sede num monte artificial utilizado pelos romanos séculos antes para observar o movimento das tropas na região, e começa apenas com plantação de uvas viníferas em 1951. Somente a partir de 1979 Chateau Kefraya começa a produção de seu próprio vinho, com suas próprias uvas.

O sucesso da vinícola começa pouco tempo depois do início da produção de vinhos próprios, e atualmente os vinhos ali elaborados estão presentes em mais de quarenta países. O ícone da vinícola é o Comte de M, um blend de Cabernet Sauvignon e Syrah oriundos de um vinhedo de apenas 9 hectares, que se encontra a 1.100 metros acima do nível do mar. Também merece destaque o Chateau Kefraya Red, um corte de Cabernet Sauvignon, Syrah e Mourvèdre; o Chateau Kefraya Amphora, elaborado em jarros de argila, tal como os fenícios faziam cerca de 4.000 mil atrás; o Chateau Kefraya Millesima, um blend de tintas de diferentes colheitas; e, por fim, o Chateau Kefraya Adéenne, um branco elaborado apenas com uvas nativa libanesas (Mekssesse, Obeidi e Merwah).

A importadora oficial do Chateau Kefraya no Brasil é a Zahil Vinhos (www.zahil.com.br).

 

 

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Château Ksara
Trata-se da mais antiga vinícola libanesa, fundada em 1857 por monges jesuítas, que iniciaram o plantio de 25 hectares entre Tanail e Zahle. Padre Kirn teria sido o religioso que reconheceu o potencial das uvas ali plantadas para a produção de vinho, convencendo os demais para utilização da fruta com esta finalidade. Os religiosos se utilizaram de uma gruta que remontava ao tempo da dominação romana para deixar o vinho envelhecer em barricas de carvalho, atribuindo-se muito do sucesso da vinícola à temperatura e umidade constantes das cavas, durante todo o ano.

Em 1973, quando a vinícola já produzia cerca de 1 milhão e 500 mil garrafas de vinho por ano, o Vaticano estimulou os monastérios e missões mundo afora a vender seus ativos comerciais. Foi quando o Château Ksara foi adquirido por um consórcio de empresários locais, sendo que atualmente seu chairman é Zafer Chaoui.

A partir de 1991 a vinícola começa o plantio de uvas viníferas europeias, tais como Cabernet Sauvignon, Merlot, Syrah, Sauvignon Blanc, Semillon e Chardonnay. Os fazendeiros locais não acreditaram que estas castas sobreviveriam ao terroir do Vale do Bekaa, mas, ao contrário, o resultado foi extremamente satisfatório.

Os vinhedos da vinícola estão em média a 1.000 metros de altitude, e em solos que variam do giz, giz com argila e argila com calcário, mas sempre pedregosos.

O ícone da vinícola é o Cuvée do IIIème Millénaire, um corte de Petit Verdor, Cabernet Franc e Syrah. Há também um excelente Rosé, denominado Sunset, e produzido a partir de uvas Cabernet Franc e Syrah.


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Ixsir
Esta vinícola moderna, fundada em 2008, já foi idealizada para ser uma das melhores do Líbano, e já começa pelo nome, que significa Elixir, palavra definida como “a mais pura forma de todas as substâncias”. Seus sócios, o francês Ettiene Debbane e o franco-brasileiro de descendência libanesa Carlos Ghosn, que foi presidente da Renault, da Mitsubishi Motors e da Nissan, envolvendo-se recentemente em uma polêmica em razão de suposta fraude fiscal no Japão, onde chegou a ser preso, mas conseguiu uma fuga cinematográfica, indo para o Líbano, onde se encontra até o momento. Carlos é também sócio da vinícola libanesa Massaya.

Suas instalações foram erigidas nas colinas da cidade de Batroun, a cerca de 60 Km de Beirute, a partir de uma construção do Século XVII, mas com modernas e lindas instalações, tanto da área de vinificação quanto de recepção ao turista.

Os vinhedos ficam entre 400 e 1.800 metros de altitude, que estão espalhados de norte a sul do país, e que contemplam áreas próprias e parcerias com viticultores autônomos. Quase todos estão acima dos 1.000 metros de altitude, e com solos muito bons para o cultivo a que se destinam. O vinhedo mais alto é o Ainata, onde são plantadas as variedades Syrah, Cabernet Sauvignon e Caladoc.

O produto número um da vinícola é o El Ixsir, um corte de Syrah (55%), Cabernet Sauvignon (35%) e Merlot (10%), provenientes dos vinhedos Ainata, Yamoune e Kab Elias, compostos de argilas férricas com placas de calcário. O El Exsir branco é um corte de Viognier (70%) e Chardonnay (30%), provenientes dos vinhedos Niha e Kab Elias. O portfólio ainda é composto pela excelente linha Grande Reserve (tinto, branco e rosé) e a linha Altitudes, também com tinto, branco e rosé. Quem traz os vinhos da Ixsir para o Brasil é a importadora Grand Cru (www.grandcru.com.br). 

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Bom, agora, com todas essas dicas acerca dos vinhos libaneses, escolha o seu e pense na harmonização. Mas, já que é pra entrar no clima, porque não encarar como entradas um labneh (coalhada seca), homus (pasta de grão de bico) e baba ghanoush (pasta de berinjela), quibe frito e de assadeira, esfihas (de carne!!!!), kafta e outros tantos pratos típicos da culinária árabe, todos deliciosos.

Fi sihtik (Saúde)!!! 







 

 

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  • Publicado por: Fernando Akaoui
  • Postado em: terça-feira, 16 jun 2020 18:06Atualizado em: terça-feira, 16 jun 2020 18:12
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Vamos falar sobre taças de vinho?

TAÇAS - Para iniciarmos esta conversa, devemos partir da premissa de que você é um amante dos vinhos e, como tal, deve ter pelo menos a percepção de que uma boa taça é algo importante para colaborar com a melhor experiência possível quando você abre uma garrafa desta preciosa bebida.

E, de fato, a taça realmente faz uma grande diferença. As mais prestigiadas marcas de taças de vinho do mundo investem muito tempo em pesquisa para desenvolverem aquelas que, em sua percepção, são as taças que melhor exaltarão a cor, a textura, o aroma e os sabores da bebida. Os designs diferem de uma para outra marca, mesmo entre as mais importantes do mercado, o que bem demonstra que não há uma certeza quanto a qual formato é realmente o ideal.

Para tentar me conectar com vocês, gostaria de dividir um pouco minha experiência com taças de vinho, sendo certo que é, nos dias de hoje, um dos principais objetos que eu gosto de comprar. De fato, preciso me policiar para não exagerar, até porque nem tenho mais onde guardar tantas taças. Mas já aviso que se eu ver uma nova que goste muito, dificilmente resistirei à tentação.

Bom. Comecei a apreciar vinho com cerca de dezenove anos de idade (até então, vinho para mim era algo que eu beberia, mas não apreciaria), sendo certo que nesta época vinho importado era uma raridade, predominando no mercado os vinhos brasileiros do sul do país, notadamente da Serra Gaúcha. Me lembro de pedir pizza e tomar com um merlot da vinícola Château Duvalier. A taça utilizada era a que tinha em casa, de boa qualidade, mas um produto cujo fabricante se preocupava mais com a estética do que com a obtenção de um resultado benéfico ao enófilo.

Foi muito mais pra frente que, por determinação (e não pedido) de alguns amigos com quem eu mantinha uma confraria quinzenal, sempre com os jantares sendo realizados em minha residência, que comprei minhas primeiras taças realmente adequadas para um amante de vinhos. As taças são (sim, no presente, pois as tenho até hoje, e figuram dentre minhas prediletas) da linha Sommelier, da marca Strauss (www.strauss.com.br), fábrica de Santa Catarina que chegou a decretar falência no passado, mas o maquinário, marca e domínio da internet foram adquiridos pela fábrica de porcelanas Oxford, que voltou a comercializar os excelentes produtos que sempre foram feitos. Minhas aquisições, à época, limitaram-se aos modelos Brunello di Montalcino e Chardonnay, por se tratar de dois coringas para vinhos tintos e brancos.

Com o tempo fui adquirindo novas marcas e modelos. Primeiro da alemã Spiegelau, que muito embora seja produtora de cristais há séculos, ganhou imensa qualidade a partir de sua aquisição por uma austríaca, a Riedel. Depois de minhas taças alemãs, parti para a aquisição de alguns modelos da Schott Zwiesel (https://unternehmen.zwiesel-kristallglas.com/en/cms/), germânicas tanto quanto as anteriores, com destaque para suas taças com titanium, que prometem ser mais resistentes à quebra, e de fato são. Na sequência, me deparei em Campos do Jordão com algumas taças de champagne da marca Ritzenhoff (www.ritzenhoff.com), também alemãs, que gostei pelo formato, apesar de não ser exatamente o que eu estava procurando à época para estes tipos de vinhos, mas as uso muito. Da mesma marca, adoro as taças de vinho branco.

Foram as taças da Riedel (www.riedel.com), entretanto, que me levaram a uma qualidade muito superior. A fabricante austríaca produz cristais há séculos, e dedica-se demais a encontrar a melhor solução para cada tipo de vinho. São mais de 400 tipos de taças. A empresa familiar, que já se encontra em sua 11ª geração (hoje sob o comando de Maximilian Josef Riedel), aposta realmente numa imensa variedade de produtos, não só para diferentes tipos de vinhos, como para diferentes ocasiões, também. Recentemente lançou a linha Wine Wings (taças da foto acima), com três taças para vinhos brancos (Chardonnay, Sauvinon Blanc e Riesling), três para tintos (Cabernet Sauvignon, Pinot Noir/Nebbiolo e Syrah) e uma para Champagne. A Riedel disponibiliza ao mercado taças feitas à mão e taças feitas em máquinas super modernas e com grande precisão, mas que, claro, perdem um pouco do charme do produto fatto a mano.

Numa viagem à França, mais especificamente à região de Champagne, anos atrás, passei a me deparar com taças de vinhos desta natureza muito diferentes. Mais bojudos e com a boca estreita do que as taças que até então eu já tinha me deparado, foi justamente no lugar certo que fui me informar sobre elas. Almoçando com minha esposa no restaurante Le Parc, do Hotel Les Crayères, que fica exatamente entre as vinícolas Veuve Cliquot e Pommery, em Reims, obtive a informação de que as taças com as quais eu tinha me deparado eram da Lehmann Glass (www.lehmann-sa.com), da própria cidade, e quem desenvolveu aquele design foi Philippe Jamesse, o sommelier deste restaurante de duas estrelas Michelin. Jamesse encontrou aquele que seria o melhor design para que o champagne pudesse expressar todo o seu potencial. Naquela oportunidade não consegui adquirir as taças, mas as encontrei no Brasil, posteriormente. E me arrependo de não ter comprado mais, pois nunca mais as localizei, apesar de ainda estarem anunciadas em sites (sempre sem estoque). As coleções são belíssimas, e certamente ainda terei outras taças desta marca esplêndida.

Mas para alguns, a cereja do bolo ainda está por vir. A austríaca Zalto (www.zaltoglas.at) é considerada por muitos a melhor do mundo, e, no mínimo, rivaliza ombro a ombro com as da Riedel. Atualmente são importadas para o Brasil pela Clarets (www.clarets.com.br). Diferentemente da Riedel, a Zalto tem um portfólio bem pequeno, destacando-se as taças Burgundy e Bordeaux, além da coringa Universal, que serve realmente para todos os vinhos (brancos, tintos e espumantes) sem comprometê-los. A delicadeza destas taças é algo indescritível por meio de um artigo. São todas feitas à mão. Todavia, quem não tem muito cuidado com uma taça é bom pensar duas vezes antes de comprar uma Zalto.

Taças excepcionais são caras. É um investimento. Se você ainda não está disposto a pagar muito caro nelas, comece pelas Schott Zwiesel, que têm excelente preço. Tente pelo menos ter quatro tipos: Bordeaux, Borgonha, Brancos e Espumantes. Os dois primeiros te permitirão beber todos os tipos de tintos sem enormes comprometimentos.

Quanto aos espumantes, aquelas típicas taças denominadas flute têm sido abominadas pelos apreciadores mais contundentes, muito embora sejam as que as pessoas mais adquirem. A tulipa (taça com bojo mais largo e estreitamento na boca) tem sido a mais recomendada, mas há quem diga que a taça de vinho branco se mostra ideal para beber espumantes. Muitas marcas de taças de cristais, como a Riedel, por exemplo, têm lançado taças para espumantes com formatos próximos daquelas utilizadas para brancos e tintos. Cumpre anotar que, para champagnes mais complexos e os safrados, a taça de vinho branco realmente permite que se obtenha melhor resultado na percepção dos aromas e manutenção do perlage (as borbulhas).

Agora é só correr para adquirir suas taças ideais e, voltando para casa, abrir um grande vinho para inaugurá-las. Tome cuidado com a manutenção das taças. Porém, este tópico ficará para uma próxima conversa. Santé! 

 

 

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  • Publicado por: Fernando Akaoui
  • Postado em: terça-feira, 09 jun 2020 07:27Atualizado em: terça-feira, 09 jun 2020 08:28
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Mendoza

Confesso que ensaiei muito para conhecer a região vinícola de Mendoza, a mais importante da Argentina, e de onde saem cerca de 80% dos vinhos produzidos nesse país, apesar dos insistentes convites e ótimas referências de pessoas de gosto confiável. Priorizei outras regiões mais tradicionais, até que sucumbi a tantos apelos de amigos que desfrutam do mesmo gosto pelos prazeres do vinho, e acabei agendando, alguns anos atrás, a viagem. Uma semana depois de meu desembarque na interiorana Mendoza, capital da província de mesmo nome, a sensação era de raiva pelo tempo que perdi ao sonegar minha passagem por esta “Disney” dos amantes da boa mesa.

De fato, tanto os apreciadores de vinhos quanto da gastronomia, encontram em Mendoza um prato cheio para se esbaldar. Não bastasse as mais de 1500 vinícolas distribuídas em cinco subrregiões, que, por seu turno, se subdividem em outros tantos departamentos (vale consignar o protagonismo de Luján de Cuyo, Maipú e Tupungato), cada qual produzindo vinhos com características muito diversas em razão das mudanças de altitude, solo e outros elementos naturais que influenciam decisivamente no produto final, mais de uma centena delas está muito bem estruturada para receber os turistas que pretendem conhecer o processo de elaboração de seus vinhos, desde os vinhedos até o engarrafamento.

O interessante é estudar muito bem a região para poder se programar de forma a não “pagar mico”. Isso porque a província de Mendoza é muito grande, e por vezes as vinícolas que você quer visitar estão a distâncias que serão impossíveis de serem percorridas a tempo para cumprir os horários das reservas. Sim, com raríssimas exceções, você precisa proceder a agendamento prévio para realizar o tour e degustação nas vinícolas. Além disso, lembre-se que ninguém vai a Mendoza para tomar água mineral. Então, fique esperto se estiver dirigindo. O ideal é contratar um serviço especializado, que proceda às reservas, agrupando as vinícolas por áreas próximas, de sorte a otimizar o deslocamento, e lhe forneça um veículo com motorista. Para tours individuais ou em grupo, recomendo contato com Susana Moreiras (susanamoreiras17@hotmail.com). Ela faz simplesmente tudo, cabendo a você apenas se divertir. Nas vinícolas você só mexerá na carteira se quiser comprar algumas garrafas ou souvenires, pois ela acerta tudo, e você, acerta com ela ao final.

Algumas vinícolas são de visita quase obrigatória, dada sua importância e conhecimento do público brasileiro: Catena Zapata (com seu prédio magistral e seus vinhos icônicos), Bodega Aleanna – El Enemigo (projeto do enólogo chefe da Catena Zapata, Alejandro Vigil, com Adrianna Catena, e que conta com um excelente restaurante), Norton (pela importância de seu enólogo Jorge Riccitelli e o ótimo restaurante), Luigi Bosca (tradicional e com ótima degustação) e Trapiche (com sua sede localizada em um prédio histórico restaurado). Todavia, é preciso conhecer algumas joias como Achaval Ferrer (mais pela qualidade de seus vinhos, que você conhecerá numa ótima degustação), Alta Vista (empreendimento da família D’Aulan, que foi proprietária da renomada Champagne Piper Heidsieck) e Viña Cobos (que tem como um de seus proprietários o enólogo americano Paul Hobbs). Entretanto, não se pode descuidar em relação a vinícolas não tão conhecidas do público brasileiro, como Matías Riccitelli (puxou a genialidade de seu pai), Durigutti (uma grata surpresa, com uma ótima sala de degustações) , Mendel (uma vinícola bastante rústica, mas que recebe muito bem os visitantes, sem contar seus excepcionais Unus e Finca Remota) e Zorzal (pelo talento dos irmãos Michelini).

Na minha concepção, o ideal é que se faça três visitas com degustação ao dia (menos de duas, nem pensar), sendo que a última deve ser conjugada com almoço. Aliás, abramos aqui um parêntese para consignar que algumas destas vinícolas têm restaurantes excelentes, podendo de pronto nomear Norton, Vistalba, Chandon, Dominio del Plata (Susana Balbo), Zuccardi, Ruca Malen e Bodega Aleanna. Como regra, você sai da mesa por volta das 15 hs, chegando ao hotel entre 15:30 e 16 hs, o que ainda te dá tempo para dar uma volta na pacata cidade. Isso, obviamente, se você não estiver trançando as pernas ou estufado de tal maneira que não consegue dar dois passos.

E, se você tiver um dragão dentro de seu estômago, o que lhe permite uma rápida digestão, ainda poderá curtir um belo jantar num dos tantos excelentes restaurantes de Mendoza, com destaque para os excepcionais 1884 (do mago das carnes Francis Mallmann), Azafran e Maria Antonieta.

No quesito hospedagem, a região também tem ótima estrutura, com hoteis boutique, hoteis luxuosos, hoteis mais funcionais, enfim, hoteis para todos os gostos. Me agradam o Park Hyatt e o Diplomatic, seja pelo serviço e instalações, seja pela excelente localização de ambos, o que permite passear pela zona comercial e gastronômica de Mendoza a pé. Os que pretenderem conhecer o Vale do Uco, de onde saem atualmente alguns dos vinhos mais prestigiados da Argentina, o ideal é achar um local para ficar na região (destaque para os chalés da vinícola Salentein e para o luxuoso The Vines Resort & Spa), para não ter de encarar uma viagem de volta a Mendoza, que, após visitas e degustações, pode se tornar puxada.

E se após tantas visitas você ainda não estiver com sua cota de vinhos estourada, a cidade de Mendoza oferece boas lojas para aquisição da bebida, notadamente de vinícolas que não recebem visitas, destacando-se a Sol y Vino, Wine O’Clock e Winery.

Em resumo, não faça como eu, que perdi tanto tempo (já recuperados, obviamente). Agende logo sua viagem para Mendoza e se delicie em uma das mais importantes regiões vinícolas do mundo.

 

 

 

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  • Publicado por: Fernando Akaoui
  • Postado em: sexta-feira, 15 mai 2020 11:12
  • MENDOZA   VINHOS   VINÍCOLA   
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Vinhos da Itália – Uma homenagem a um país em guerra contra um vírus

                                                    PARTE I – VINHOS DO PIEMONTE


A Itália é certamente um dos mais importantes países produtores de vinho do mundo, sendo a campeã mundial em volume de produção, com 46,6 milhões de hectolitros em 2019, um ano ruim, que impôs diminuição de 10% na produção mundial de vinho em razão de geadas e secas (na Itália foram 15% a menos de produção). E, dentre as inúmeras regiões vinícolas do país (elas estão espalhadas por todo o território italiano, incluindo as ilhas da Sicília e Sardenha), estão as destacadas regiões do Piemonte e da Toscana, que “brigam” pelo título de mais importante região vitivinícola.

Iniciamos nossa jornada em homenagem a este belíssimo país, devastado pelo coronavírus, pelo norte, justamente por se tratar de uma das regiões mais afetadas por esta pandemia, e, mais especificamente, pelo Piemonte, que abriga alguns dos mais importantes vinhos produzidos no mundo, os Barolo e os Barbaresco.

Geograficamente o Piemonte fica na parte mais ocidental da Itália, fazendo fronteira com a França, da qual sofreu muita influência, posto que a região inteira foi dominada durante anos pela Casa de Savoia (ou Casa de Saboia), que tinha ramificação francesa. Foram os gregos, entretanto, que introduziram a produção de vinho na região, seguidos, posteriormente, pelo Império Romano. Foi a partir do Século XVIII, entretanto, que surge aquele que se tornaria o vinho mais famoso da região, e um dos mais prestigiados de todo o mundo, o Barolo. Calcula-se que o Piemonte tenha uma área de 58.000 hectares de vinhedos, e produza cerca de 300 milhões de litros por ano.

A área piemontesa que tem maior destaque no mundo dos vinhos é a que se denomina de Langhe. É justamente nela que se encontram os ícones da região, os Barolo e os Barbaresco.

A denominação Barolo tem a pequena comuna de mesmo nome como ponto central (são apenas 679 habitantes e 5 km² de território), muito embora a principal cidade do Langhe seja Alba, famosa pelas trufas. A denominazione di orgirine controllata e garantita – DOCG Barolo se estende a outras subregiões, a saber, La Morra, Verduno, Roddi, Grinzane Cavour, Diano d’Alba, Castiglione Falletto, Serralunga d’Alba, Monforte d’Alba e Novello. Para que um vinho do Piemonte possa ganhar o rótulo Barolo, deve obrigatoriamente ser originário de uma dessas cidades e ser produzido 100% com a uva Nebbiolo. Se o vinho provier de outra cidade, ganhará a denominação de Nebbiolo, ou de uma outra DOC ou DOCG.

Em cada uma dessas subregiões há vinhedos excepcionais, que fornecem a fruta para grandes clássicos de Barolo, produzidos com uvas apenas deste local (single vineyard), ao invés de um blend de vários vinhedos. Em La Morra os destaques são os vinhedos Brunate (denominação utilizada por Vietti, Ceretto e Roberto Voerzio), Cerequio (denominação utilizada por Michele Chiarlo e Roberto Voerzio) e Rocche dell’Annunziata (produzido por Renato Ratti e Paolo Scavino, por exemplo). Em Barolo sobressaem-se os vinhedos Brunate (denominação utilizada pelos produtores Pietro Rinaldi e Marchesi di Barolo), Cannubi (denominação utilizada por Prunotto e Paolo Scavino) e Cannubi Boschis (denominação utilizada por Luciano Sandrone). Em Castiglione Falletto estão localizados os vinhedos Monprivato (denominação utilizada por Giuseppe Mascarello), Fiasco ou Fiasc (utilizado por Paolo Scavino) e Villero (denominação utilizada por Bruno Giacosa e Vietti). Em Monforte d’Alba são encontradas as denominações Bussia (utilizada por Aldo Conterno), Ginestra (utilizada por Domenico Clerico) e Mosconi (utilizada por Rocche di Manzoni). Já em Serralunga d’Alba temos as denominações Falletto (utilizada por Bruno Giacosa), Francia (utilizada por Giacomo Conterno) e Vigna Rionda (utilizada por Massolino e Podere Oddero).

Os vinhos produzidos na DOCG Barolo são potentes, e têm a fama de serem longevos (alguns não expressam suas principais características antes de 15 anos), podendo serem guardados por décadas e ainda assim manterem sua vivacidade e complexidade. E, apesar das subregiões acima anotadas estarem a poucos quilômetros de distância umas das outras, o diferente terroir pode mudar complemente o vinho, trazendo-lhe características próprias que levam os apreciadores a acreditar que se tratam de vinhos produzidos em locais muito distantes, apesar da característica comum que a Nebbiolo lhes empresta.

Alguns dos grandes produtores de Barolos são Aldo Conterno, Giacomo Conterno, Renato Ratti, Pio Cesare, Bruno Giacosa, Bartolo Mascarello, Michele Chiarlo, Ceretto, Elio Grasso, Giuseppe Mascarello, Paolo Scavino, Vietti e Roverto Voerzio.

A poucos quilômetros dali está a comuna de Barbaresco (638 habitantes e 7 km² de território), que dará nome a outra denominazione di origine controllata e garantita – DOCG que está entre as mais respeitadas do mundo.

Ali os vinhos também devem ser produzidos obrigatoriamente com 100% de uva Nebbiolo, mas, dadas as características do terroir encontrado nessa região, os vinhos tendem a ser menos potentes (com taninos menos intensos) e não suportarem o mesmo tempo de guarda do que os Barolo, muito embora os melhores exemplares de Barbaresco tenham tais qualidades.

A denominação Barbaresco exige que o vinho tenha sido produzido com uvas oriundas das comunas de Barbaresco, Treiso, Neive e uma parte do território de San Rocco Seno d’Elvio. Como toda DOCG, esta também é submetida a rígido controle, cuja lei regulamentadora impõe que o vinho tenha inúmeras características, tais como certo teor alcoólico, tempo mínimo de amadurecimento, tempo mínimo em barrica de carvalho etc. São 65 vinhedos classificados e oficializados, e que podem constar no rótulo, quando as uvas utilizadas para a produção do vinho foram originárias de apenas um deles.

Os vinhedos mais famosos de Barbaresco, e que produzem algumas de suas joias são Asili, Gallina, Montestefano, Pajè, Rabajà e Rio Sordo. Mas certamente não há como falar de joias desta região sem falar sobre os vinhos produzidos por Angelo Gaja, o grande nome de Barbaresco (mas que também produz vinhos em outras regiões, tais como Barolo e Moltalcino). Seus vinhos Costa Russi, Sorì Tildìn e Sorì San Lorenzo, provenientes dos vinhedos homônimos, são excepcionais. São vinhos para se tomar ao menos uma vez na vida.

Outros grandes produtores de Barbaresco são Bruno Giacosa, Produttori del Brabaresco, Orlando Abrigo, Ca’del Baio, Cascina delle Rose, Ceretto, Pio Cesare, Poderi Colla, Marchesi di Grésy, Bruno Rocca, Sottimano e La Spinetta.

Mas o Piemonte não vive só da Nebbiolo, sendo as uvas Barbera e Dolcetto também importantes dentro do contexto regional, além das castas brancas Arneis, Cortese, Moscato Bianco, Malvasia e a francesa Chardonnay.

Grande parte dos mais prestigiados produtores do Langhe também produzem denominações como Barbera d’Alba, Dolcetto d’Alba, Langhe, Nebbiolo d’Alba, dentre muitas outras, e que se constituem em denominazione di origine controllata – DOC, sendo estes vinhos mais baratos e não tão prestigiados quanto os Barolo e Barbaresco.

 

 

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  • Publicado por: Fernando Akaoui
  • Postado em: sexta-feira, 15 mai 2020 11:09
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