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Homens mentem mais e são mais dissimulados que mulheres (mas quem não sabia disso?)

Como já dizia o bom e velho Dr. House, naquele que foi um dos poucos seriados de TV dos últimos anos que me foi tragável assistir, todos, sem exceção, mentem. Esse não é um truísmo, ou verdade banal, até porque o problema é quanto se mente, e todos conhecemos mentiroso compulsivos. Outro fator, lógico, é por quais motivos as pessoas mentem.

Curiosamente, ao contrário do que muitas culturas pregam, diversas pesquisas comprovam homens saem disparado e ficam na frente nesse comportamento, e, para piorar, eles são mais falsos e dissimulados do que elas.

Na era da Internet e da satisfação instantânea de desejos, uma recente pesquisa publicada nos Estados Unidos mostrou o que já era óbvio para o observador mais atento: homens são menos sinceros, principalmente em relacionamentos online, que são cada vez mais comuns nos dias de hoje. Segundo o site do “Journal of Social and Personal Relationships”, mantido pela Universidade do Kansas, quando escondidos atrás da Grande Rede, eles mentem muito, escondem a idade, ajustam seus pesos de forma fictícia (quase sempre para menos) e, sobretudo, exageram quando narram suas reais condições sociais sob muitas circunstâncias diferentes.

Frequentar sites de relacionamentos por alguns dias revela que muitos dos perfis dos sempre galãs indicam que seriam são todos Brad Pits com a esperteza de um George Soros para investimentos, vivendo a utópica vida de um Bill Gates, mas com a perspicácia do Steve Jobs, a eterna malandragem do Lula e, claro, a sempre-presente compaixão do Papa Francisco. E tudo em um. E estão disponíveis. E estão interessados em passar horas em bate-papo furado em site de relacionamento! E com "qualquer uma".

Sociólogos acreditam que, além do simples fator genético que por si estimula competição, desde a infância o homem já é treinado culturalmente para mentir de forma a sobressair na multidão e evitar perder para concorrentes. Estudiosos dizem que essa característica tem direta relação com o machismo, fenômeno biocultural transmitido aos meninos logo cedo que antropólogos acreditam remontar à pré-história.

Isso é sustentado pelo chamado dimorfismo sexual, fato biológico de que fisicamente, e em muitas espécies de mamíferos, machos são bem maiores e mais fortes que fêmeas e, assim, se elas resistirem às suas abordagens ou forem pegas fazendo algo condenável, são repreendidas ou dominadas pela força bruta - talvez daí a imagem do chamado Homem das Cavernas com um porrete na mão arrastando a mulher que acaba de "caçar" pelos cabelos. Se proposta hoje, tal imagem seria politicamente incorreta, ainda que a prática continue firme pelo mundo afora.

Existe ampla literatura publicada que demonstra que homens traem mais do que as mulheres por questões biológicas de forma a garantir vantagens reprodutivas. Por isso, nesse sentido, acabam sendo mais falsos, manipuladores e mentirosos. Como em termos genéticos o investimento masculino em possível reprodução é baixíssimo, torna-se meta usar de todos os meios para convencer o sexo oposto a ceder para alguns momentos de diversão "barata". E mentiras e enganação sempre fazem parte do plano maior se for necessário lançar mão dessa abordagem.

Esse maior custo biológico na reprodução não quer dizer, entretanto, que mulheres sejam passivas, não traiam e também não mintam para cobrir seus passos. Na verdade, o fazem com razoável frequência do ponto de vista estatístico e, mais curiosamente, principalmente quando estão ovulando, correndo, assim, o risco engravidar. Nesse caso específico, o grande lance é que quando elas mentem a respeito das evidências e suspeitas de traição colhidas pelo homem, costumam fazê-lo com mais habilidade. Por causa dessa esperteza, não incomum, homens acabam criando filhos que não são deles, um grande desastre do ponto de vista do investimento evolucionário. Homens, ao contrário, mentem de forma mais descarada por que se acham mais espertos do que as mulheres, mas não são e raramente conseguem esconder por muito tempo sua conduta.

Além dos motivos sexuais e reprodutivos, homens e mulheres mentem sobre coisas diferentes e em contextos diversos. Vale tudo. Em consonância com a linha de pensamento do Dr. House, em sua obra “Porque os Homens Mentem e as Mulheres Choram?”, os autores Bárbara e Allan Pease afirmam que todas as pessoas mentem, mas os homens o fazem principalmente por duas razões: obter um ganho ou evitar uma dor, mesmo que – e talvez especialmente – emocional. Um ex-presidente dos Estados Unidos, depois de pego mentindo sobre alguns aspectos de sua suposta atuação durante a guerra do Vietnã, se defendeu dizendo que as gravações de áudio haviam sido manipuladas.

Depois surgiram vídeos em que ele repetia as mesmas mentiras e, depois de ele os assistir, negou que fosse ele que aparecia nas filmagens, embora claramente fosse. Aliás, esse caso explícito de negação lembra esse blogueiro de centenas de casos recentes de corrupção por aqui onde os envolvidos sempre têm a mesma audácia de negar o óbvio e, para piorar, chegam a ter legiões de seguidores que também estão em estado continuo de negação e mentem para si mesmos ao não aceitar a enganação explícita.

Ainda que este blogueiro acredite que todas as evidências acima seja absolutos fatos, ele conheceu e teve relacionamentos afetivos e de amizade com (bem) mais mulheres compulsivamente mentirosas do que homens, algumas das quais enganariam facilmente qualquer polígrafo de tão bem treinadas a não esboçar qualquer reação fisiológica alguma mesmo à face da maior e mais estrondosas de todos os contos de fadas (ou duendes). Talvez seja exceção, não regra. Talvez, historicamente e em última instância, a fábula do Pinóquio tenha sido verdadeira.

 

 

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Sobre
Ciência, saúde, espiritualidade, meditação em textos escritos por quem entende do assunto: o antropólogo Darrell Champlin.