Divulgação Divulgação

Joker é um filmão que prepara bem o terreno para a nova safra de filmes do Batman

** ALERTA DE SPOILER **
Este texto é só para quem já assistiu ao filme. E, duas semanas depois da estreia, quem não assistiu não vai poder reclamar, né?

Coringa, a fictícia biografia do maior vilão das histórias do Batman, tem como grande mérito te deixar tão confuso quanto o protagonista. Saí da sala de cinema sem saber, pra começar, se tudo aquilo aconteceu de fato ou foi um delírio de um sujeito que está preso numa camisa de força dentro de um hospício (já que, antes dessa cena, ele aparece liderando um levante popular que levou o caos às ruas de Gothan City). E, se aconteceu, o que de fato é “verdade” e o que é delírio do personagem. Personagem, aliás, de quem o filme torna a audiência cúmplice. Não é exatamente uma novidade torcermos para o vilão e, aqui, o caso é bem este.

Voltando às dúvidas sobre delírio e realidade, ficou óbvio, por exemplo, que Arthur Fleck não namorou a vizinha e que não teve um “momento fofinho” com o apresentador de tevê que, compulsivamente, segue. Mas não fica nada claro se sua mãe fala ou não a verdade quando diz que teve um caso amoroso com Thomas Wayne, o pai de Bruce Wayne, e que Robert é fruto desse relacionamento. Tudo leva à conclusão de que ela é tão pirada quanto ele, mas um detalhe no verso de uma foto pode mostrar o contrário. Não se sabe.

O que se sabe, com certeza, é que o que vemos é a trajetória de um homem completamente louco, prestes a explodir, que é levado por tudo o que lhe acontece (ou ele acha que lhe acontece) a se revoltar ainda mais. Quando um colega de trabalho lhe dá uma arma de presente, ele mata três engravatados bêbados que o estavam espancando e ali se dá o gatilho (literalmente) da sua consciência social: se você faz parte de uma camada ‘invisível’ da população, a quem ninguém dá atenção e em quem todos pisam sem piedade, devolva a violência, exija o respeito na marra, à força.

O filme é extremamente eficiente em mostrar toda essa trajetória do sujeito louco em sua jornada para se tornar um miliciano. Conta com mais uma ótima interpretação de Joaquin Phoenix e uma história cheia de referências, que remete o tempo todo ao clássico ‘Taxi Driver’ mas que também me lembrou de outras produções, como 'Laranja Mecânica’, 'O Rei da Comédia’, 'Natural Born Killers’ e que deve, também, estar cheia de referências a quadrinhos de super-heróis que, por não acompanhar, não “pesquei”.

Algumas considerações a mais, soltas, sobre o filme:

>> A trilha sonora é sensacional, reunindo clássicos do nível de 'Smile’ (de Charlie Chaplin), 'Send in The Clowns’ e 'That’s Life’ (com Frank Sinatra). Um uso que me lembrou o de 'Singing in the Rain’ em Laranja Mecânica.

>> Se a Warner seguir essa mesma linha nos novos filmes do Batman, o homem morcego vai ser encarado como inimigo do povo, como agente do status quo, por uma parcela considerável da população de Gothan City…

>> A participação de Robert de Niro é um ponto alto do filme. As duas sequências no estúdio da tevê, aliás, são algumas das melhores do filme.

>> A direção de arte é um capítulo à parte. Se o filme de 1989, aquele do Tim Burton com o Jack Nicholson como Coringa, já levou o prêmio, aqui também é forte concorrente.

>> Se a Academia quiser ser corajosa em 2020, um Oscar para Joaquin Phoenix não seria um troço muito fora da curva, não. Seria a segunda vez que o personagem renderia uma indicação à estatueta. Heath Ledger venceu, postumamente, pelo mesmo papel.

 

 

  • Publicado por: Gustavo Klein
  • Postado em: quinta-feira, 17 out 2019 13:09Atualizado em: quinta-feira, 17 out 2019 22:27

Comentários (0)

Enviar Comentário
     
Sobre
Cinema, música, literatura, séries de tevê e muito mais. As últimas notícias. Entrevistas com quem faz cultura. As resenhas dos filmes em cartaz e das séries do momento. Os livros mais legais. Tudo isso e muito mais você encontra aqui, no Santa Cultura!