Mini dicionário da língua caiçara traz 12 gírias e expressões da Baixada Santista
Por Laeticia Bourgeois em 01/10/2025 às 06:00
Quem nunca ouviu um “tá ligado?” ou um “chego em dois palitos!” de alguém da Baixada Santista pode até estranhar, mas por aqui essas expressões são parte do dia a dia. O vocabulário da região vai muito além do sotaque: é um reflexo da identidade local, moldada pelo convívio nas praias, nos bairros e no vai e vem entre o porto e a cidade.
Algumas gírias nasceram em grupos específicos, como surfistas ou skatistas, mas extrapolaram seus contextos originais e ganharam as ruas. É o caso de “magrela” ou “mango”, que se popularizaram entre pessoas de diferentes idades e estilos. O que todas elas têm em comum é essa função de traduzir, em poucas palavras, o jeito irreverente e descontraído de quem é da Baixada Santista.
Nesta matéria, reunimos algumas das gírias e expressões mais usadas pelos moradores da região. Um verdadeiro dicionário caiçara, que ajuda a entender como a linguagem também conta histórias e reforça a identidade da Baixada Santista.
- Tu: Usado no lugar de “você” ao se referir a outra pessoa a qualquer momento de modo informal.
- Mango: dinheiro. Cotação atual: 10 mangos – R$ 10.
- Média: pão francês.
- Cará: pão de leite.
- Magrela ou camelo: bicicleta.
- Bagulho: qualquer objeto pode ser chamado de bagulho.
- Classe A: algo muito legal, muito bom.
- Dois palitos: significa fazer algo de maneira rápida e fácil. Ex: “chego lá em dois palitos!”
- Do doce: quando algo é mal feito. Ex: “esse fone de ouvido é do doce.”
- Paga sapo: mentiroso.
- “Tô no veneno”: a pessoa está muito brava, muito irritada.
- “Tá ligado”: “você sabe?”, “entendeu?”, “está por dentro?” ou “está ciente?”
- “Vou na cidade”: refere-se a ir ao centro da cidade (Centro Histórico de Santos).
- “Mó boi”: tarefas simples ou sem dificuldades.