Guerra no Oriente Médio preocupa setor de transporte e combustíveis na Baixada Santista
Por Santa Portal em 15/03/2026 às 06:00
O aumento do preço internacional do petróleo, provocado pelo conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã, começa a gerar preocupação em setores ligados ao transporte e à distribuição de combustíveis na Baixada Santista, região que abriga o Porto de Santos, principal porta de entrada e saída de mercadorias do país.
No Brasil, cerca de 65% das cargas são transportadas por veículos movidos a diesel. Com o combustível mais caro, o custo do frete tende a subir, o que pode impactar o preço final de diversos produtos que chegam ao mercado.
Empresas de transporte da região já adotam medidas para tentar reduzir os impactos do aumento do diesel. “Nesse momento, o que a gente está investindo é no reforço da manutenção preventiva dos caminhões, motor regulado, pneus calibrados, que consomem menos diesel. É uma forma da gente, momentaneamente, segurar um pouco esse reajuste. Mas se não houver nenhum incentivo maior por parte do governo vai ser complicado manter esse custo atual”, disse Ivo Galatro, dono de uma transportadora com sede em Santos.
O cenário internacional também preocupa o setor de combustíveis. A guerra no Oriente Médio provocou o fechamento do Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de 20% da produção mundial de petróleo.
Segundo representantes do comércio varejista de combustíveis, os postos dependem diretamente dos valores repassados pelas distribuidoras. “Nosso setor, mais especificamente da revenda, não tem o que fazer praticamente, porque nós compramos os produtos das nossas distribuidoras. Vamos aguardar os repasses das distribuidoras para nós, donos de postos, para que em cima desse valor novo a gente possa calcular o nosso preço final de venda”, afirmou José Camargo Hernandez, presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Petróleo da Baixada Santista.
Para tentar reduzir os impactos da crise internacional na economia brasileira, o governo federal anunciou medidas como a redução a zero das alíquotas de PIS /Cofins sobre o diesel, além de subvenção para produtores e taxação das exportações de petróleo, com o objetivo de aumentar a oferta interna do combustível. Segundo o Ministério da Fazenda, a expectativa é que, com essas medidas, o preço do diesel nas refinarias possa cair até R$ 0,64 por litro.
Para especialistas, a situação reforça a necessidade de diversificação das fontes de energia no país. “Nós já vivemos uma crise como essa na década de 70 e o Brasil fez uma opção pela energia do álcool e, aí, nós nos tornamos mais diversificados com relação entre o petróleo e o nosso combustível. Brasil não pode ficar dependente do petróleo”, afirmou Hélio Halite, especialista em economia internacional.