Explosão da corrida em Santos leva prefeitura a discutir mudanças na orla

Por Beatriz Pires em 17/05/2026 às 12:00

Diego Matos/Divulgação Prefeitura de Santos
Diego Matos/Divulgação Prefeitura de Santos

A falta de segurança e de estrutura na orla de Santos tem levado atletas e autoridades a discutirem mudanças na mobilidade esportiva da praia. Com o crescimento do número de corredores e o registro de incidentes entre pedestres e veículos, propostas como a criação de faixas exclusivas e o fechamento parcial da avenida aos domingos passaram a ser analisadas pela Prefeitura de Santos e pela CET (Companhia de Engenharia de Tráfego).

A discussão ganhou força diante do aumento de praticantes de corrida na cidade. Segundo estimativas debatidas durante audiências públicas, Santos reúne cerca de 25 mil corredores, enquanto o calçadão da orla enfrenta problemas como superlotação, irregularidades no piso e falta de espaço adequado para treinos.

A analista de departamento social Sophia Guedes, de 23 anos, corre ao menos três vezes por semana e afirma que, muitas vezes, precisa utilizar a faixa de areia por falta de alternativas seguras na orla. Segundo frequentadores, porém, a própria areia também apresenta dificuldades para os atletas. Além da influência das marés, o avanço do mar reduz o espaço disponível em diversos períodos do dia.

Quando chove, o cenário se agrava no calçadão. As pedras portuguesas tornam o piso escorregadio, aumentando o risco de quedas e inviabilizando treinos com segurança. Sem estrutura suficiente, muitos corredores acabam utilizando a avenida da praia e treinando próximos aos veículos.

“Eu vi uma menina correndo na rua e os carros jogando para cima dela; é extremamente perigoso”, relata a maratonista Valéria Mello.

Projeto em análise

Em nota, a Prefeitura de Santos informou que o avanço do projeto depende da compatibilização da nova infraestrutura com o tombamento dos jardins da orla, patrimônio histórico que exige aprovação de órgãos de preservação. Entre as alternativas estudadas estão as chamadas “vagas verdes”, criadas para compensar possíveis impactos ambientais e minimizar a supressão de áreas gramadas.

Mais do que uma intervenção voltada ao esporte, a proposta também é defendida como medida de inclusão.

“O objetivo principal seria a criação de uma pista de acessibilidade, atendendo às pessoas que utilizam cadeira de rodas”, afirma o vereador Paulo Miashiro, presidente da Comissão de Esportes e idealizador do debate.

O parlamentar também propõe que projetos semelhantes sejam levados para outras regiões da cidade, como a Zona Noroeste. Atualmente, arquitetos municipais analisam sugestões apresentadas durante a audiência pública realizada em abril. A expectativa é que uma nova versão do projeto seja apresentada em uma segunda rodada de debates com a população.

Rua de lazer divide opiniões

Além da pista fixa, outra proposta discutida é transformar a avenida da praia em uma “Rua de Lazer” aos domingos, nos moldes de cidades como São Paulo, Fortaleza e Porto Alegre.

Para Valéria Mello, a medida incentivaria a prática esportiva e ampliaria os espaços de convivência. Já Sophia Guedes demonstra preocupação com os impactos no trânsito para trabalhadores que dependem da avenida aos fins de semana.

Saúde pública e inclusão

Especialistas e atletas defendem que a ampliação da infraestrutura esportiva vai além do lazer e deve ser tratada como política pública de saúde. Segundo eles, espaços seguros incentivam a prática de atividades físicas, ajudam no combate a doenças crônicas e transtornos mentais, além de ampliarem o convívio social.

“Você priva outras pessoas de viverem, de ter essa liberdade. É um negócio que eu tinha comigo e eu realizei”, afirma Valéria ao defender o incentivo público ao esporte.

Enquanto o projeto definitivo não avança, Santos segue atrás de cidades vizinhas, como Praia Grande, que já possui pista dedicada para corrida. Paralelamente, a prefeitura também estuda ampliar o projeto “Praia Acessível”, atualmente concentrado no Canal 3, para outros pontos da orla.

“Quando há regras claras e espaços bem organizados, a convivência tende a ser muito mais harmoniosa para todos”, afirma Paulo Miashiro.

Hoje, Santos conta apenas com a Área de Treinamento de Pedestres (ATP), que funciona com interdição parcial do trânsito entre 4h e 6h, de terça a quinta-feira. O desafio da administração municipal é criar uma estrutura permanente capaz de acompanhar o crescimento do esporte na cidade.

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