Baixada Santista acende alerta em relação a casos de violência entre crianças
Por Anna Clara Morais em 15/09/2025 às 06:00
A Baixada Santista tem registrado casos cada vez mais frequentes de violência entre crianças e adolescentes, especialmente dentro de instituições de ensino. A explicação para essa realidade, de acordo com a psicóloga Adriana Moncorvo, depende de vários fatores.
A profissional explica que as causas podem estar relacionadas a conflitos familiares, ausência de limites ou até, ao excesso de permissividade, situações que podem ocasionar em comportamentos agressivos.
“Muitos lares vivem sob forte pressão econômica, emocional e de tempo. Famílias sobrecarregadas, vínculos frágeis, excesso de telas, ausência do brincar e uma escola pressionada por resultados criam um terreno fértil para que a palavra dê lugar ao ato”, completa.
Outra questão determinante é a atitude dos responsáveis dentro de casa, pois os pais são espelho para os filhos. Portanto, a tendência é que pais agressivos criem crianças agressivas.
“Os pequenos se inspiram nos modelos que observam. Convivendo com discursos agressivos, de intolerância e violência (em casa, na TV, nos jogos, nas redes sociais), acabam naturalizando essa forma de se relacionar. Quando uma criança agride, ela não apenas fere o outro. É um apelo ao adulto. É como se quisesse dizer ‘não sei como lidar com o que sinto, ajude-me a suportar”, continua.
Para a psicóloga, a melhor forma de lidar com a situação é através de regras claras e limites estabelecidos, sem autoritarismo, para que a criança entenda que a vida em sociedade exige respeito ao outro.
“Quando a criança encontra lugar para falar sobre seus medos, raivas e tristezas, diminui a necessidade de expressar isso em atos. O vínculo afetivo seguro dá recursos internos para lidar com frustrações sem precisar recorrer à agressividade”.
Desta forma, e com as orientações corretas, é mais provável que o indivíduo não se torne um adulto violento, pois aprende a controlar os impulsos e a ser mais equilibrado.
Mesmo assim, as agressões sofridas na infância podem criar cicatrizes profundas nas vítimas e sequelas levadas até a maturidade.
“Medo constante, queda na autoestima, dificuldade de confiar nos outros e até a tendência de repetir a violência. Ou seja, não machuca só o corpo, mas também a forma como ela passa a enxergar a si mesma e o mundo”, conclui Moncorvo.
Aprendizado e soluções
A terapeuta ressalta que episódios como esses podem deixar uma lição e devem acender um alerta em relação à sociedade.
“A violência escolar não pode ser vista apenas como indisciplina ou falha individual da criança. É um sintoma coletivo, que aponta para o esgarçamento dos laços sociais. O desafio que se coloca não é apenas o de punir, mas o de escutar o que essa criança, esse grupo, essa comunidade está nos comunicando através da agressão”.
E, a solução para mitigar cada vez mais casos de violência entre crianças, não é difícil, mas reque paciência e cuidado.
“Reconstruir laços dentro das famílias, nas escolas, nas redes de apoio. Onde houver espaço de escuta e de simbolização, a palavra poderá ocupar o lugar do golpe”, finaliza.