Após caso Orelha, protetores da Baixada relatam aumento de denúncias de maus-tratos
Por Beatriz Pires em 03/03/2026 às 06:00
A repercussão nacional do Caso Orelha, o cão comunitário morto após agressões em Florianópolis (SC), acendeu um alerta na Baixada Santista. Protetores independentes da região registram um aumento significativo nas denúncias de abandono e violência contra animais no início de 2026.
Impacto do Caso Orelha no litoral paulista
Em Praia Grande, a rede de apoio aos animais sente o reflexo direto da sensibilização pública. A enfermeira e protetora Mylena de Castro relata receber de dois a três pedidos de ajuda diariamente. No entanto, o crescimento das denúncias esbarra em um obstáculo crônico: a falta de recursos financeiros.
Triagem de resgates
Segundo Mylena, o abandono é a ocorrência mais comum, seguido por casos de doenças graves. A alta demanda exige um sistema de filtragem rigoroso para decidir quais animais receberão assistência imediata.
- Casos frequentes: animais abandonados em via pública.
- Casos críticos: atropelamentos, tumores expostos e miíases (infestação de larvas).
“Eu preciso ver quais são os mais urgentes. É como um atendimento em hospital, eu preciso resgatar quem está em pior situação”, explica a enfermeira.
Custos elevados e falta de suporte público
A realidade dos protetores independentes na Baixada Santista é marcada pela autossuficiência forçada. Sem um fundo fixo para emergências, os custos de consultas, exames e internações são custeados por doações e recursos próprios.
- Exemplo de custos: uma internação recente de 30 dias gerou uma despesa de R$ 9 mil.
- Financiamento: campanhas em redes sociais e custeio direto pelos protetores.
Mylena ressalta a ausência de políticas públicas efetivas para quem atua na causa. De acordo com ela, nem mesmo zoonoses (doenças transmitidas de animais para humanos), como a esporotricose, recebem o suporte necessário do poder público na região.
Soluções para reduzir o abandono animal
Para a protetora, o enfrentamento do problema exige medidas estruturais que vão além do resgate emergencial:
- Ampliação de campanhas de castração gratuita.
- Criação de um Hospital Veterinário Público na região.
- Subsídio para ração e vacinas para protetores cadastrados.
Ela defende que a castração de animais de rua é a ferramenta mais eficaz para frear a reprodução descontrolada e o abandono subsequente.
Peso emocional da proteção animal
Apesar das dívidas e da escassez de apoio, a motivação permanece na crença pela causa, embora o impacto emocional seja inevitável quando os esforços médicos não são suficientes.
“Fico muito mal quando não consigo salvar, mas tenho a sensação de dever cumprido por ter dado um fim de vida sem dor e com carinho”, conclui.