Afastamentos por transtornos mentais batem recorde e atingem comércio varejista
Por Beatriz Pires em 27/02/2026 às 06:00
A rotina intensa do comércio varejista, marcada por metas agressivas, longas jornadas e atendimento constante ao público, pode funcionar como gatilho para o adoecimento mental. Em 2025, o Brasil voltou a bater recorde de afastamentos por transtornos mentais. Segundo o Ministério da Previdência Social, foram cerca de 4 milhões de licenças por doença, sendo mais de 546 mil ligadas à saúde mental.
O vendedor do comércio varejista aparece no topo da lista das ocupações com mais registros. Para a psicóloga e neuropsicóloga Erivan Figueiredo, embora o problema não seja exclusivo do comércio, o setor reúne características que aumentam a vulnerabilidade emocional dos trabalhadores.
“A rotina envolve pressão constante por metas, trabalho aos fins de semana e feriados é uma exigência permanente de desempenho. Essa combinação pode desencadear quadros de ansiedade, depressão e burnout”, explica.
Entre os principais sinais de alerta estão irritabilidade frequente, alterações no sono, mudanças no apetite, tristeza constante, perda de interesse por atividades antes prazerosas e sensação de apatia. A orientação é buscar ajuda profissional ao perceber que esses sintomas começam a interferir na rotina.
O afastamento do trabalho, segundo a psicóloga, nem sempre é a primeira alternativa. A necessidade deve ser avaliada por um médico, de acordo com a gravidade do quadro. Em situações menos avançadas, terapia, mudanças de hábitos e ajustes na rotina profissional podem auxiliar na recuperação.
Para reduzir o número de casos, a prevenção dentro das empresas é considerada essencial. A organização das jornadas, a definição de metas mais equilibradas e a construção de um ambiente emocionalmente saudável podem impactar diretamente a qualidade de vida dos trabalhadores e a diminuição dos afastamentos.
“As empresas precisam se adequar às diretrizes da NR-1 até maio de 2026. Mais do que evitar multas, é uma questão de responsabilidade com as pessoas”, conta a psicóloga.
A adequação às normas que tratam dos riscos psicossociais no ambiente de trabalho também passa a exigir atenção redobrada das empresas nos próximos anos. Na Baixada Santista, trabalhadores que buscam atendimento psicológico gratuito ou de baixo custo podem procurar as clínicas-escola da Universidade Santa Cecília (Unisanta).