27/03/2026

Superfãs de musicais como 'Wicked' assistem aos mesmos espetáculos dezenas de vezes

Por Diogo Bachega/Folhapress em 27/03/2026 às 09:18

Divulgação
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O consultor e fã Juarez Velozo, 37, diz que tudo o que tinha em mente ao criar o Elphabo, sua versão da protagonista do musical “Wicked”, era uma homenagem extravagante ao elenco da peça e ao time dos bastidores.

Ele já havia assistido à montagem de 2023 e até gostou, mas foi na estreia de dois anos depois que surgiu a ideia de se vestir como a personagem inspirado pelo momento em que a atriz Myra Ruiz, a Bruxa Má do Oeste, decolou sobre sua cabeça cantando “Desafiar a Gravidade”.

Na época, não sabia nem passar manteiga de cacau, muito menos se maquiar. Mas isso não o impediu. Encomendou um figurino exclusivo e contratou um maquiador, que o preparou para dez sessões da produção, às quais assistiu caracterizado. Assim, o personagem caiu no gosto do público e do elenco e logo virou uma atração à parte, alçando seu criador ao status de subcelebridade

Com a agenda já dividida entre um doutorado em turismo, seu trabalho como consultor na área e a presidência de um fã-clube oficial da cantora Sandy, Velozo passou a separar um tempo toda semana para ver “Wicked” vestido de Elphabo. Só a preparação levava duas horas. A peça tem três, e ele reservava um tempo para tirar fotos com fãs antes e depois de cada apresentação -dezenas de cliques, ele diz.

O que era para ser uma brincadeira, hoje rende dinheiro por meio de convites para eventos e conteúdos promocionais. Mais do que isso, Velozo diz que se considera um elo acessível entre o público e os bastidores. “Eu sentia a responsabilidade de representar uma produção que é mágica para eles e para mim.”

O Elphabo é um caso à parte, mas ele não está sozinho na dedicação. Professora de inglês do ensino infantil, Giovana Paduano, 29, assistiu a “Wicked” 35 vezes. Apesar de ter visto outros musicais antes, este a impactou de uma maneira diferente.

“O encantamento foi tanto, que eu já saí do teatro querendo ver mais uma vez. Quando eu vi, já tinha virado um hábito sem volta.”

Ver as pequenas mudanças entre sessões, poder mostrar a peça a outras pessoas e saber que, sempre que visse, ficaria feliz, foram algumas das coisas que a fizeram repetir a experiência.

Mas os fãs de “Wicked” não estão sozinhos. Matheus Marchetti, 31, diretor de cinema e teatro, é um amante dos musicais desde pequeno. Entre montagens no Brasil, Nova York e Londres, acredita ter assistido a “O Fantasma da Ópera” umas 30 vezes, desde a infância, quando acompanhava os pais em viagens a trabalho. “Os Miseráveis”, viu quase 20 vezes em diferentes países.

Anos depois, Marchetti acabou dirigindo, ele mesmo, um musical, “O Bosque dos Sonâmbulos”. A montagem, apesar de enxuta, ganhou certo espaço graças à parceria com uma escola pública periférica para os estudantes poderem vê-la de graça.

“Acho que essa galera viu todas as apresentações. Cantava junto, vinha fantasiada.” Para ele, isso mostra que o público dos musicais poderia ser maior se as produções fossem mais acessíveis.

Evidência de que existe um público disposto -inclusive a atravessar distâncias-, é Malu Thegon, 15, dubladora e estudante. Ela deu atenção a esse tipo de espetáculo quando foi convidada a participar de pequenas produções em Americana, onde vive, no interior de São Paulo. Em 2023, já atuando, assistiu a seu primeiro grande musical, “Wicked”, duas vezes.

Não por falta de vontade, mas porque cada ida sua ao teatro é uma viagem. “Eu preciso me programar bem antes, saber onde eu vou passar o dia em São Paulo, como que vou, como volto”, diz.

Mas a paixão é forte e ela não mede esforços. De lá para cá, foi ver “Matilda”. Com “Meninas Malvadas”, comemorou seu aniversário, e depois deu um jeito de ir outra vez com um amigo, aproveitando um dia em que sua mãe ia a trabalho para a capital. Na ocasião, conseguiram até alguns autógrafos.

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