14/04/2026

Não há nada que me prenda, então vou vivendo, diz Ronaldinho Gaúcho sobre rolês aleatórios

Por Leonardo Volpato/Folhapress em 14/04/2026 às 08:25

Reprodução/Instagram @Ronaldinho
Reprodução/Instagram @Ronaldinho

Um dos personagens mais fascinantes do esporte contemporâneo ganhou uma série para chamar de sua. Estreia na quinta-feira (16), na Netflix, a série documental “Ronaldinho Gaúcho”, que mostra as alegrias, as tristezas, os dribles e os rolês aleatórios do ex-jogador e uma das maiores lendas da história do futebol em todos os tempos.

A obra faz um mergulho na vida profissional do craque brasileiro, que viveu seu auge absoluto no Barcelona, de 2003 a 2008. “O Bruxo”, como ficou conhecido, conquistou uma bola de ouro da Fifa em 2005 e a eleição de melhor do mundo em 2004 e 2005.

Com direção de Luis Ara e produção da Canal Azul e da Trailer Films, a produção traz momentos em família e lembra fases dramáticas, como a morte de João, pai de Ronaldinho e de seu irmão mais velho, Assis. Maior incentivador da carreira dos dois (Assis também foi jogador profissional), ele foi encontrado sem vida na piscina da casa da família, em 1989.

As glórias, os feitos conquistados e o jeito espontâneo e acolhedor do ex-craque da seleção é lembrado em depoimentos de figuras icônicas do esporte, como Lionel Messi, Neymar, Cafu, Roberto Carlos, Gilberto Silva, Felipão e Carles Puyol. O narrador Galvão Bueno também tinha histórias para contar.

O projeto apresenta arquivos inéditos da infância e também dos momentos de maior intimidade do craque, além de não deixar passar em branco um traço marcante da sua personalidade: a capacidade de curtir a vida e fazer o que bem entende –seja participando da versão turca do No Limite, o que colocou o seu nome entre os assuntos mais comentados das redes sociais, ou atuando com Mike Tyson no cinema.

Por essas e outras, Ronaldinho Gaúcho é reconhecido como o “rei dos rolês aleatórios”. Ele até tenta explicar o que o move aceitar os mais variados convites, também relacionados à música, à moda, e ao que mais ele achar divertido. “Não sou casado, não há nada que me prenda, então eu vou vivendo”, diz ele em determinado momento da série.

Em meio a tantas aleatoriedades, a produção não deixa de mostrar a fase da qual o ex-jogador, se pudesse, apagaria para sempre da memória: o período em que ficou preso com o irmão, no Paraguai, em março de 2020.

Os dois portavam passaportes e cédulas de identidade falsos. Depois de quase seis meses, eles receberam autorização judicial para voltar ao Brasil. A soltura dos brasileiros foi decidida em audiência no Palácio da Justiça, em Assunção.

“Ficar preso foi o pior momento. Fiz amizades, todos lá jogavam futebol e era uma forma de esquecer o que estava passando”, diz ele em um trecho. “Eu assumo total responsabilidade. Talvez eu tivesse de ser mais vigilante, mas eu negligenciei”, afirma o irmão Assis.

O terceiro episódio da série relembra o retorno triunfal do craque ao Brasil, sobretudo ao Atlético-MG, e o título inédito da Libertadores contra o Olímpia, em 2013. Após perder o primeiro jogo por 2 a 0, a partida no Mineirão acabou 2 a 0 para o Galo, e nos pênaltis deu Atlético. Ronaldinho nem precisou fazer sua cobrança. Ele foi considerado o “Rei de Belo Horizonte”.

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