17/03/2026

Michelle Pfeiffer, do cinema à TV, diz que indústria agora trata melhor as mulheres

Por Guilherme Luis/Folhapress em 17/03/2026 às 11:58

Reprodução/PMS
Reprodução/PMS

A matriarca de uma família enlutada é o novo papel de Michelle Pfeiffer, que lança neste sábado (14) a série “Madison”, do criador de “Yellowstone”, num novo momento da carreira da atriz, agora rendida à TV e distante do cinema, onde no século passado viveu o auge, três vezes indicada ao Oscar.

À época na casa dos 30 anos, Pfeiffer encantou Hollywood com seu jeito de fazer drama mesclado à sensualidade, como em “Ligações Perigosas”, de 1988, e na Mulher-Gato, de “Batman: O Retorno” (1992), até hoje a versão mais memorável da gatuna.

Mas a americana enfrentou uma derrocada e teve poucos trabalhos de destaque nos anos 2000. Mais velha, passou a receber convites para interpretar madrastas malvadas ou outros tipos que considerava degradantes, vem dizendo em entrevistas.

“Quando comecei, a carreira de uma mulher meio que acabava aos 40. Mudou muito. Agora, com tanto conteúdo sendo feito na televisão, há mais oportunidades, especialmente para as atrizes da minha geração”, diz Pfeiffer em conversa com jornalistas. “Os melhores trabalhos hoje, aliás, vêm de mulheres da minha geração ou das mais velhas.”

Por isso, antes de topar “Madison”, Pfeiffer, hoje aos 67 anos, achou melhor se aconselhar com Helen Mirren, de 80, uma das atrizes britânicas mais consagradas. Tão ativa quanto no começo de carreira, Mirren está há três temporadas no centro de “1923”, outra série de Taylor Sheridan, o criador de “Madison”, e certamente teria algo bom ou ruim a dizer sobre este homem, Pfeiffer pensou.

Dito e feito. Mirren respondeu que nunca havia se divertido tanto em uma produção.

Convite aceito, Pfeiffer recebeu o papel de Stacy Clyburn, ricaça de Nova York que convence a família a deixar o luxo da cidade grande para se mudar para um rancho em Montana, onde, na quietude da natureza, eles talvez conseguissem desvendar um jeito de curar a dor pela perda de um parente. É um papel carregado de drama, do tipo que Pfeiffer gosta de fazer.

Mas há uma questão. Embora acuse a indústria de machismo, a atriz agora se entrega à obra de um escritor constantemente criticado pela forma limitada com que trata mulheres em seus roteiros.

Taylor Sheridan se tornou poderoso na TV americana com “Yellowstone”, dramalhão sobre a vida no campo que se tornou uma das mais vistas do país. A obra rendeu outras ambientadas no mesmo universo, criando um império do faroeste na televisão, só que erguido quase todo em cima de protagonistas masculinos.

Pfeiffer diz ter desconfiado, sim, do projeto, dado que Sheridan não tinha nem o roteiro quando a convidou. É que ele está acostumado a escrever só depois de saber que ator vai viver cada personagem, o autor justificou.

Pfeiffer então saiu para jantar, conheceu melhor Sheridan, a mulher dele, ouviu os detalhes e só depois da bênção de Mirren se sentiu confortável de verdade. “Madison”, aliás, é dirigida por uma mulher, Christina Alexandra Voros, que também trabalhou em alguns episódios de “Yellowstone”.

“Madison”, que já tem duas temporadas gravadas, pode ser considerada a primeira série longa de TV feita por Pfeiffer em décadas, ainda que em 2022 ela tenha atuado na minissérie “The First Lady”.

“O que costumava me assustar na televisão agora me atrai. Aprendi a gostar da ideia de reencontrar equipe e elenco ano após ano para acompanhar a evolução de cada um”, diz. “Por outro lado, também é triste se apegar às pessoas com quem se trabalha porque”. É quando Pfeiffer se interrompe e vira para o ator Kurt Russell, que também dava entrevista, para debater quantas vezes os dois conseguiram se encontrar nos últimos tempos.

Os jornalistas, então, ficaram encarando a tela enquanto, unidos presencialmente, Pfeiffer e Russell recordavam seus grandes momentos. Os dois se conheceram no set de “Conspiração Tequila”, há quase 40 anos, e em “Madison” interpretam marido e mulher.

Uma das filhas do casal é Paige, vivida por Elle Chapman, que diz ver Pfeiffer como exemplo de resistência em Hollywood. Na trama, a veterana é cunhada de Paul, papel de Patrick J. Adams, da série “Suits”, que tem função importante nos conflitos da família. Para ele, Pfeiffer é magnética.

“Quando nós, atores, conhecemos pessoas de performances memoráveis, ficamos olhando para elas e pensando como você está fazendo isso? Onde você está forçando? Mas Michelle é natural. Ela até se prepara antes, mas é muito presente no set.”

Stacy, a figura materna encarnada por Pfeiffer, está, de certa forma, conectada ao papel que a atriz desempenhou na vida real quando escolheu se afastar do cinema. Diante de tantos convites que a desagradavam, ela decidiu que era hora de se dar tempo para cuidar dos filhos que teve com o produtor David E. Kelley. Ser mãe fez dela menos narcisista e obcecada pelo trabalho, disse Pfeiffer ao jornal The New York Times.

Kelley aproveitou que a mulher agora pegou gosto por TV e a escalou para mais uma série, criada e produzida por ele próprio, “Margo Está em Apuros”, a ser lançada no mês que vem no Apple TV. Nela, Pfeiffer vive o papel cômico de uma mulher meio perua casada com um religioso. Está longe do drama de “Madison” e lembra, de certa forma, a comédia de “Hairspray: Em Busca da Fama”, musical que Pfeiffer lançou em 2007, época em que, segundo ela própria, trabalhar com o marido estava longe das suas prioridades. Mas as coisas mudaram.

  • Quando: Neste sábado, 14, no Paramount+.
  • Classificação: Não informada.
  • Elenco: Michelle Pfeiffer, Kurt Russell e Elle Chapman.
  • Produção: EUA, 2026.
  • Criação: Taylor Sheridan.

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