15/01/2026

'Marty Supreme' diverte como um filme da Sessão da Tarde com esteroides

Por Daigo Oliva/Folhapress em 15/01/2026 às 11:06

Divulgação
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Um jogador de pingue-pongue bem louco vai aprontar as maiores confusões na cidade grande. Com certa liberdade e um pouco de maldade, a sinopse no estilo Sessão da Tarde resumiria bem “Marty Supreme“.

Não que seja um demérito ser um filme da Sessão da Tarde. É que o longa de Josh Safdie cumpre o roteiro clássico que enfileira situações rocambolescas, engraçadas, conduzidas por um protagonista carismático, até o momento da redenção: o clichê da jornada do herói, ainda mais num longa apoiado em um esporte.

“Marty Supreme” é vagamente inspirado em Marty Reisman, jogador americano de tênis de mesa que ficou famoso pela habilidade e pela personalidade provocadora. Sem o nível de profissionalismo que se vê hoje na modalidade, Reisman sobrevivia, também, com jogos de exibição e partidas nas quais apostava dinheiro.

Não se trata, porém ‘nem de longe’, de um filme de esporte. Ainda que seja possível se deliciar com as características do tênis de mesa nos anos 1950, em cenas que mostram os atletas quase sempre perto da mesa, num jogo sem tanta força ou batidas com muito efeito, o pingue-pongue aparece para valer no ritmo do filme, movimentado e ágil, e nos diálogos muito afiados, como uma bolinha que vai e volta sem parar.

As atuações, aliás, são o motor do longa. Timothée Chalamet, que pode virar o inimigo número 1 do povo brasileiro caso supere Wagner Moura no Oscar de melhor ator, vive um personagem narcisista que tenta a todo custo mostrar que é o suprassumo do tênis de mesa, com resultados e entretenimento para o público.

A performance é intensa, o que dá vigor ao protagonista e chama a atenção mais facilmente. Isso pode ser, ao mesmo tempo, uma armadilha, já que o ator poderia escorregar para a caricatura, o que não acontece. A principal qualidade de Chalamet em “Marty Supreme” é ter achado o tom certo, no limite da afetação. Todo o elenco vai nessa direção, com Gwyneth Paltrow, Odessa A’zion e, sobretudo, Kevin O’Leary, espetaculares.

A personagem de Paltrow, que retorna ao cinema após um hiato, é crucial para entender o Marty Mauser de Chalamet. Ela interpreta Kay Stone, uma ex-estrela de Hollywood em busca de retomar o prestígio depois de se casar com um ricaço e que vê no protagonista a fome de vida que perdeu no transcorrer dos anos.

“Marty Supreme” é um filme da Sessão Tarde, mas com esteroides. Tem violência, sexo e é centrado em um personagem sem escrúpulos, narcisista, um judeu capaz de falas terríveis sobre campos de concentração travestidas na forma de piadas. O único momento em que ele parece demonstrar empatia real é quando se depara com uma extensão de si mesmo. Josh Safdie, o diretor, conseguiu construir um Marty Mauser para ser odiável mas carismático, pelo qual o espectador vai torcer mesmo nas situações mais improváveis.

Pouco importa se uma banheira velha de hotel despenca de um andar para outro, uma cópia deslavada de “Breaking Bad”, ou se a caça a um cachorro termina numa cena rocambolesca. É cinema de diversão, sem compromisso com a coerência, como eram muitos filmes que marcaram a adolescência nos anos 1980.

Não por acaso, “Marty Supreme” parece fazer uma homenagem a essa época, ao abrir o filme ao som de “Forever Young”, hit do Alphaville, e terminar com “Everybody Wants to Rule the World”, do Tears for Fears.

Marty Supreme

  • Avaliação: Bom
  • Quando estreia: Na quinta (22), nos cinemas.
  • Classificação: 16 anos
  • Elenco: Timothée Chalamet, Gwyneth Paltrow e Odessa A’zion
  • Produção: EUA, 2025
  • Direção: Josh Safdie
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