09/02/2026

Kali Uchis exalta latinos e diz que é difícil ser imigrante em show em São Paulo

Por Guilherme Luis/Folhapress em 09/02/2026 às 10:07

reprodução
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Kali Uchis diz que não é fácil ser latina nos Estados Unidos. Em vídeo exibido nos telões do show que fez em São Paulo neste domingo (8), a cantora afirmou se considerar uma imigrante nascida nos Estados Unidos, ela cresceu na Colômbia, prestou homenagem à família e exaltou seus pares, com cenas de outros imigrantes. “Somos trabalhadores. Somos humanos”, ressoa a voz gravada pela artista nas caixas de som.

Embora seja um vídeo pronto, transmitido em todos os shows da turnê “Sincerely, Tour”, dedicada ao disco que Kali Uchis lançou no ano passado, o momento ganha um peso a mais nesta apresentação no Brasil.

Não só por se tratar da primeira parada da turnê na América Latina, mas porque neste mesmo domingo à noite o porto-riquenho Bad Bunny comandou um show histórico no intervalo do Super Bowl, na terra firme dos Estados Unidos, onde ele vinha se recusando a cantar por causa dos ataques das tropas do ICE, o serviço de imigração americano. Na semana passada, Bad Bunny coroou seu protesto ao vencer álbum do ano no Grammy, a maior honraria da música.

Kali Uchis, então, faz coro ao colega, mesmo que de longe. No Vibra São Paulo, ela cantou em espanhol pela maior parte do show, justamente o que destaca a cantora das várias divas pop que aparecem de tempos em tempos.

Kali ganhou projeção há cinco anos com “Telepatía”, que viralizou no TikTok em plena pandemia e a pôs sob a mira de uma legião de admiradores —e do mercado. Apesar de não ter hits, ela construiu um catálogo sólido de lá para cá, tendo lançado mais quatro álbuns.

Kali se destaca por encarnar um tipo de artista menos dada a sorrisos, com pose de diva, dona de um jeito elegante de se portar no palco. Quase sempre com a expressão fechada, ela faz carão, bico, sem nunca deixar de rebolar e seguir as muitas coreografias.

Ainda no começo da apresentação, Kali se deitou em uma cama parada no meio do palco para cantar. Ficou ali se esfregando nos lençóis e sensualizando para a câmera que a filmava por cima. Combina com seu repertório. Kali faz um pop classudo, sexy e parrudo, sem prestar conta às exigências do mercado.

Kali e sua cara fechada não traduzem em desânimo. É uma persona sofisticada, e muito bem executada, aliás. A artista surge no topo de uma plataforma, endeusada pelo público, e depois veste asas brancas nas costas. Mais tarde foram os seus dançarinos que apareceram alados no palco, cobrindo-a com penas brancas, enquanto um holofote no fundo fazia seu look brilhante reluzir.

É a segunda vez dela no país, após um show no Lollapalooza, também em São Paulo, em 2023. Kali fez bonito no Vibra, e cantou tudo ao vivo, apesar de ter o apoio de uma base alta e de ter sido prejudicada pela acústica meio abafada das caixas de som.

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