Irmãos Wayans viram 'tios do pavê' com novo 'Todo Mundo em Pânico'
Por Folha Press em 03/06/2026 às 17:24
Em 2000, “Todo Mundo em Pânico” tinha uma missão simples debochar do terror adolescente que havia dominado o final da década de 1990 com filmes como “Eu Sei o que Vocês Fizeram No Verão Passado” (1997), “Lenda Urbana” (1998) e, é claro, “Pânico” (1996). A saturação de certas características do terror adolescente era o que fazia a comédia funcionar.
Em 2026, porém, a continuação da paródia não tem um alvo em específico, pois não há mais um subgênero dominante. Entre os últimos lançamentos, por exemplo, “Backrooms: Um Não-Lugar” não poderia ser mais diferente de “Passageiro do Mal”. Assim, o novo “Todo Mundo em Pânico” é forçado a atirar para todos os lados e erra boa parte dos tiros.
Parodiando o retorno de Jamie Lee Curtis ao reboot de “Halloween”, Anna Faris interpreta Cindy Campbell, que abandona a reclusão para defender as filhas Sara e Waldinha uma brincadeira com Jenna Ortega, atriz de “Pânico” e “Wandinha”. Reencontrando Brenda, Shorty e Ray, todos do filme original, o grupo tem de enfrentar um novo Ghostface.
A trama segue nos moldes de “Halloween” (2018) e “Pânico” (2022), mas as referências passam por “Pecadores”, “A Substância”, “John Wick” e até “Guerreiras do K-Pop“. Dessa forma, as cenas fluem como vários esquetes desconexos, mas com repetidos comentários sobre a própria franquia há, inclusive, um “easter egg” de “As Branquelas”.
Com os irmãos Wayans de volta, como atores e roteiristas, o único elemento comum à maioria das piadas é uma rabugice generalizada com relação à juventude. Marlon e Shawn Wayans já estão na casa dos 50, o que pode explicar o tom ressentido de falas como “vocês da geração Z e Alpha ficam usando termos complicados como gaslisht só pra fazer a gente se sentir menos descolado”.
Antes mesmo da estreia, os irmãos já repetiam o argumento de que o “politicamente correto” não pode ditar o que é aceitável na comédia. O problema, no entanto, com a tiração de sarro dos pronomes neutros, por exemplo, não é a possibilidade de ofender alguém. É só que não tem graça mesmo. É como uma piada que alguém fez no ex-Twitter há, pelo menos, uns dez anos.
Sem um alvo definido e justo num momento em que os maiores sucessos de bilheteria são dois filmes de terror de diretores jovens um deles contratado pela A24 aos 17 anos , o timing de “Todo Mundo em Pânico” é bastante infeliz. Até a fala de um personagem, de que “ninguém ganha Oscar fazendo filme de terror”, já está defasada graças à vitória de Amy Madigan, por “A Hora do Mal”.
Há uma certa tentativa, talvez imposta por executivos, de atrair um público mais jovem com uma brevíssima participação do influencer Kai Cenat e uma inclusão, de segundos, de uma cena do jogo “Dead by Daylight”. O que mais se sobressai, contudo, é o apelo desesperado à nostalgia, do tipo que faz o fã apontar para a tela e pensar que o mero reconhecimento já constitui uma piada.
Os irmãos Wayans, enfim, se tornaram tios do pavê.
Todo mundo em Pânico
- Avaliação Regular
- Quando Estreia nesta quinta (4)
- Onde Nos cinemas
- Classificação 18 anos
- Elenco Anna Faris, Regina Hall e Marlon Wayans
- Produção EUA, 2026
- Direção Michael Tiddes