Gilberto Gil encerra última e maior turnê após cantar com Roberto Carlos e em navio
Por Guilherme Luis/ Folha Press em 25/02/2026 às 16:56
No mês que vem, Gilberto Gil vai encerrar, em São Paulo, a última e maior turnê de sua vida, “Tempo Rei”, após viajar por um ano com ela. É a despedida dessa despedida que ele preparou para os grandes palcos. A partir de agora, diz Gil, o negócio é turnê só de vez em quando e em espaços mais singelos.
O show de encerramento, marcado para o dia 28 de março, vai tomar o estádio do Palmeiras, o Allianz Parque, justamente um dos primeiros espaços a sediar o espetáculo no começo do ano passado. Lá, Gil se tornou o artista com o maior número de apresentações em um mesmo ano foram seis em 2025.
Até agora, a turnê teve 25 shows, passando por nove capitais Salvador, Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília, Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre, Fortaleza e Recife. Em março, Gil visita ainda Belém, e também vai para fora, com um show em Santiago, no Chile, e outro em Buenos Aires, na Argentina.
A expectativa é que, até o fim, Gil tenha cantado para quase um milhão de pessoas. Isso torna esta a maior turnê já feita pelo tropicalista, não só em termos de público, mas também quanto à estrutura, cheio de aparatos e efeitos que não necessariamente faziam parte de suas performances no passado. “Tempo Rei” teve, por exemplo, por cima de Gil, uma escultura em espiral, feita de metal e placas flexíveis de LED, com trechos das canções e imagens.
O veterano fez também apresentações menores em meio à programação regular da turnê. Primeiro, reuniu cerca de 60 convidados no histórico Teatro Gamboa, em Salvador, sua terra natal, há dois meses, como parte de uma campanha para comprar o imóvel e preservar o teatro. Depois, fechou o ano cantando em alto-mar no cruzeiro Navio Tempo Rei, que viajou entre o Rio de Janeiro e Santos ao longo de três dias em dezembro.
Começou ali o adeus à turnê. Tanto é que Gil fez uma segunda apresentação no navio com uma setlist diferente da que vinha tocando ao longo do ano, no anseio por novidades. Cantou, por exemplo, “Viramundo”, e também sambas de fora do seu repertório, caso de “Chiclete com Banana” e “Garota de Ipanema”, esta acompanhado de Flor Gil, sua neta de 17 anos.
Participações de outros artistas foram parte essencial dessa turnê, aliás. Gil cantou com mais de 30 colegas, entre medalhões da MPB, como Marisa Monte e Caetano Veloso, e vozes de outro gênero, caso do funkeiro MC Hariel e do cantor de piseiro João Gomes.
Um dos encontros mais importantes foi o último entre ele e a filha Preta Gil, morta em julho do ano passado por causa de um câncer colorretal. A artista dividiu palco com o pai em abril, no Allianz Parque, em São Paulo, três meses antes. Preta surgiu lá de surpresa, e fez Gil chorar ela estava internada na UTI à época. Juntos, cantaram “Drão”.
Em Salvador, Gil se uniu a Russo Passapusso e Margareth Menezes, a ministra da Cultura. No Rio de Janeiro, ele cantou com Anitta. Quando foi para São Paulo, além de Preta, Gil encontrou Sandy, Seu Jorge, e Roberto Carlos.
O momento com o rei foi memorável, sobretudo porque ele não é de visitar os shows de colegas não fazia uma ponta dessas desde 2011, quando visitou um show de Erasmo Carlos. Além de apresentarem “Além do Horizonte”, Gil brincou com Roberto. “Você veio mesmo, hein?”, disse, ao que o rei respondeu que não poderia ter deixado de ir.
Tão surpreendente quanto foi a junção de Gil e Chico Buarque, que é ainda menos afeito a aparições nos palcos alheios. O colega foi uma figura onipresente nas apresentações, já que a introdução de “Cálice”, clássico escrito pelos dois e censurado na ditadura, era feita por Chico, num vídeo gravado.
Mas quando a turnê passou pelo Rio de Janeiro, em junho, o carioca saiu do telão e foi ao palco do Marina da Glória, numa interpretação emocionante com o parceiro. Virou praxe que, antes dessa performance, ao longo da turnê, o público gritasse, em coro, um protesto contra a anistia dos golpistas do 8 de janeiro.
Gil e sua equipe foram bem criteriosos com a setlist. O artista sabia a tarefa hercúlea que seria condensar os mais de 60 anos de carreira em quase duas horas e meia de show por isso, delegou a missão e só deu a bênção final.
O espetáculo parte de “Palco”, canção de 1981, e segue uma certa cronologia temporal, antes de mudar de cara para fazer seções mais temáticas, não necessariamente temporais, associada aos diferentes ritmos cantados por Gil, que já fez samba, pop, reggae e rock.
Os ingressos para os últimos shows de “Tempo Rei” estão à venda no site da Eventim. Em Belém e em São Paulo, os preços das entradas inteiras partem de R$ 230. A produtora 30e, que cuida do espetáculo, não revela quanto a turnê faturou até aqui.
Gil, que deseja priorizar os palanques menores agora ele foi confirmado no Tiny Desk Brasil, apresentação intimista importada dos Estados Unidos, vai abrir uma exceção logo mais, no Rock in Rio, onde ele aquece o palco principal para o britânico Elton John no dia 7 de setembro. A expectativa é que ali Gil reencontre uma multidão como as que se acostumou a reunir por onde passa.
Tempo Rei de Belém
- Quando: 21 de março, às 21h
- Onde: Hangar Convenções & Feiras da Amazônia – av. Dr. Freitas, s/n, Belém
- Preço: A partir de R$ 230
Tempo Rei em São Paulo
- Quando: 28 de março, às 19h
- Onde: Allianz Parque – Avenida Francisco Matarazzo, 1705, São Paulo
- Preço: A partir de R$ 230