Exposição em Santos apresenta olhar sensível de fotógrafa sobre a Aldeia Paranapuã
Por Santa Portal em 13/03/2026 às 06:00
A fotógrafa Kelly Jandaia apresenta ao público sua primeira exposição individual, “Fronteiras Invisíveis”, que será inaugurada na próxima sexta-feira (20), às 20h, no Museu da Imagem e do Som de Santos (Miss). A mostra reúne fotografias que dialogam com a realidade da Aldeia Paranapuã, território indígena localizado em São Vicente, no litoral de São Paulo.
O trabalho nasceu a partir da participação da artista como fotógrafa still no documentário “Nhãndê Kuery Mã Hi’ãn Rivê Hê’yn” (Não somos apenas sombras), dirigido por Dino Menezes. Durante o processo de produção do filme, Jandaia teve contato direto com a comunidade Guarani-M’byá da aldeia, experiência que provocou reflexões sobre os desafios enfrentados pelos povos originários e sobre o papel da arte na ampliação da visibilidade dessas narrativas.
Uma das fotografias registradas por Kelly durante a produção do filme foi escolhida para compor o cartaz oficial do documentário, que já foi selecionado em mais de 50 festivais nacionais e internacionais, ampliando o alcance da obra e da imagem produzida pela artista.
“Ao fotografar, muitas vezes me sinto como uma mosquinha: observo, aprendo e respeito antes de registrar”, afirma a fotógrafa.
A exposição apresenta um conjunto de imagens produzidas a partir desse momento em que o olhar da artista se constrói com escuta e delicadeza. Entre cenas e silêncios, a fotógrafa revela o que define como “fronteiras invisíveis” — limites que não são necessariamente geográficos, mas culturais, históricos e afetivos.
Localizada na Praia de Paranapuã, em São Vicente, a Terra Indígena Paranapuã está dentro da área de preservação do Parque Estadual Xixová-Japuí. A aldeia foi formada em 2004 por indígenas de origem Guarani-M’byá e atualmente se encontra em processo de identificação pela Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai).
A mostra propõe ao público uma experiência imersiva por meio da integração entre fotografia, vídeo e audiovisual, ampliando a compreensão sobre o cotidiano da aldeia, suas nuances culturais e sociais, além da relação entre território, memória e identidade indígena.
A abertura da exposição contará com a exibição de documentários e um bate-papo com convidados ligados à temática indígena e acadêmica, como Ronildo Amandios Werá Guarani – cacique da Aldeia Paranapuã, Suelen Nhêndúá – professora da Aldeia Paranapuã, Sidney Fernandes – antropólogo e professor e Vitória Oliveira – socióloga
A equipe é composta por Van Aguiar, na produção executiva e design; Dino Menezes, na produção e comunicação; Renata Czekay, produção e mediação; Thiago da Silva, assistência de produção, e Nara Assunção, assessoria de imprensa. O projeto foi contemplado pelo FACULT – Programa de Apoio Cultural 2023, da Prefeitura de Santos.
Sobre os documentários
Nhãndê Kuery Mã Hi’ãn Rivê Hê’yn (Não somos apenas sombras) – Dir. Dino Menezes | 12 min
O documentário narra, em língua guarani, a história e os desafios atuais da Aldeia Paranapuã, em São Vicente (SP), propondo que indígenas se vejam representados na tela do cinema como protagonistas de sua própria história.
Índio Não é Fantasia – Dir. Dino Menezes | 14min06
O filme aborda a luta dos povos originários por seus direitos territoriais, destacando o embate contra o marco temporal e a resistência das comunidades indígenas brasileiras, com foco na Aldeia Tekoá Paranapuã.
Serviço
Exposição: Fronteiras Invisívei, de Kelly Jandaia
Abertura: 20 de março de 2026, às 20h
Período da exposição: Até 30 de abril, de segunda a sexta-feira, das 14h às 20h
Local: Museu da Imagem e do Som de Santos – MISS, no Centro Cultural Patrícia Galvão – andar térreo | Av. Senador Pinheiro Machado, 48