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Se arrependimento matasse...

A atriz inglesa Emma Watson, que será eternamente conhecida por seu papel de Hermione nos filmes da franquia ‘Harry Potter’. Mas a história poderia ser diferente . Emma foi a primeira escolha dos produtores de ‘La La Land’ para o principal papel feminino da história, o de Mia, a aspirante a atriz que se envolve com um pianista desempregado mas cheio de personalidade.

Emma ficou em dúvida sobre aceitar ou não o papel. Depois de semanas sem dar resposta, fez uma série de exigências para participar do projeto, como ensaiar em Londres, onde mora (o filme se passa e é uma homenagem a Los Angeles, capital mundial do cinema).

Pois bem: o diretor Damien Chezelle não aceitou os pedidos da diva, chamou outra Emma (a Stone) para o papel e o resto todo mundo sabe: o filme tem conquistado plateias em todo o mundo, igualou o recorde de indicações ao Oscar e Emma é a favorita para o prêmio de Melhor Atriz.

Dizem que a Emma original (a Watson) está frustrada e irritadíssima com seu agente, que seria (segundo ela) o responsável pela perda do papel. Caso parecido aconteceu com o ator Miles Teller, que trabalhou com o diretor em ‘Wiplash’ mas queria mais dinheiro para participar do filme (ofereceram 4 milhões de dólares, ele quis 6 milhões e também foi trocado, no caso por Ryan Gosling.

Casos assim, de gente que recusou papeis que acabaram consagrando seus intérpretes, são comuns em Hollywood. Vamos conferir alguns dos mais conhecidos…


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Tom Selleck
O ator Tom Selleck estrelava feliz a primeira temporada da série ‘Magnum’ quando recebeu o convite para viver um caçador de tesouros em um filme de aventura. Quem fez o convite: George Lucas e Steven Spielberg. Qual era o filme? ‘Caçadores da Arca Perdida’. Mas Selleck preferiu continuar em ‘Magnum’ e o papel do arqueólogo Indiana Jones caiu no colo de Harrison Ford, que já havia trabalhado com Lucas na série ‘Star Wars’. Selleck até conseguiu um relativo sucesso na tevê mas nunca teve uma carreira decente no cinema. Já Ford se consagrou e foi, durante anos, o ator mais lucrativo de Hollywood.

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Jack Nicholson

Hoje é impossível imaginar outro ator no papel de Michael Corleone. Mas, na época, os produtores pensaram no nome de Jack Nicholson para o filho do chefão Vito Corleone. Ainda bem que isso não aconteceu.

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Al Pacino
Ele é um dos maiores, ninguém tem dúvida disso. Estrelou ‘O Poderoso Chefão’ e ‘Scarface’, dois dos maiores filmes da história do cinema. Mas em 1975 recebeu o roteiro de um filme de ficção científica, não entendeu muito bem o que era tudo aquilo e deixou passar. O filme era ‘Star Wars’ e o papel era o de Han Solo, que acabou com… Harrison Ford!!

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Harrison Ford
Mas… nem todos dão sorte o tempo todo. Um dos projetos que foram oferecidos a Harrison Ford e ele não quis era o de um drama passado na Segunda Guerra Mundial. O motivo foi até nobre: ele achou a história tão relevante que ficou com medo que sua presença acabasse chamando mais a atenção do público do que a mensagem do filme. Liam Neeson acabou aceitando o papel e se consagrou na pele de Oscar Schindler no multicampeão ‘A Lista de Schindler’, ganhador de sete Oscar.

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Will Smith
Mesmo os grandes astros erram. Will Smith achou muito complicado o roteiro de um filme de ficção científica que lhe apresentaram e preferiu não se envolver no projeto. O filme era ‘Matrix’, o primeiro de uma trilogia de enorme sucesso comercial e que acabou nas mãos de Keanu Reeves, que recebeu o maior salário da história do cinema pelo papel.


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John Travolta
Ator de muitos filmes de sucesso, como ‘Os Embalos de Sábado à Noite’ e ‘Pulp Fiction — Tempo de Violência’, John Travolta recusou o papel principal no drama com toques de fantasia ‘Forrest Gump — O Contador de Histórias’. Tom Hanks aceitou e ganhou seu segundo Oscar pelo papel.


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Cary Grant
O ator, uma das estrelas de primeira grandeza de Hollywood, atuou em filmes como ‘Tarde Demais Para Esquecer’ e ‘Intriga Internacional’. Mas recusou um papel que havia sido criado pensando nele: o de James Bond. Nesta época, Grant, então com 62 anos, já estava pensando em se aposentar. O agente 007 acabou então nas mãos do ex-alterofilista escocês Sean Connery, que se consagrou, estrelou vários outros filmes da franquia e ganhou um Oscar.


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Molly Ringwald
Essa errou feio duas vezes. Conhecida por papéis em filmes juvenis dos anos 80, Molly não quis fazer a comédia romântica ‘Uma Linda Mulher’, que tornou Julia Roberts conhecida. Depois, recusou o papel de Molly (Molly!!!) em ‘Ghost, do Outro Lado da Vida’, a comédia dramática que lançou ao estrelado a atriz Demi Moore.


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Bruce Willis
Também em ‘Ghost — Do Outro Lado da Vida’, o ator Bruce Willis, que já era conhecido por filmes como ‘Duro de Matar’ e ‘Encontro às Escuras’, achou que interpretar um fantasma não faria bem à sua carreira e deixou passar o papel de Sam, que acabou com Patrick Swayze. O mais curioso é que anos depois, quando sua carreira já não estava no auge, foi justamente um papel ligado ao sobrenatural que o levou novamente aos holofotes: o psicólogo de ‘O Sexto Sentido’…


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George Raft
O ator George Raft recusou o papel de Rick no clássico ‘Casablanca’, que foi oferecido e aceito por Humphrey Bogart. Quando já estava tudo certo, Raft voltou atrás e quis participar do filme mas foi informado de que o papel não estava mais disponível. E Bogart se consagrou justamente neste filme. Alguns anos depois, o mesmo George Raft recusaria o papel do detetive Sam Spade em Relíquia Macabra (The Maltese Falcon). E quem mais uma vez se consagraria neste papel? Humphrey Bogart! Você provavelmente conhece o George Raft, mesmo que não seja um fã de clássicos, por uma pequena participação dele em um filme de Jerry Lewis, O Terror das Mulheres. Ele é o homem que vai esperar a namorada e é “atacado” pelo desastrado personagem de Lewis, que destrói seu chapéu.


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Johnny Depp
Você consegue imaginar outro ator no papel de Ferris Bueller, protagonista de ‘Curtindo a Vida Adoidado’, que não Matthew Broderick? Pois isso quase aconteceu. Johnny Depp era o preferido dos produtores mas desistiu das negociações porque, segundo ele, sua agenda estava lotada.

 

 

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  • Publicado por: Gustavo Klein
  • Postado em: segunda-feira, 19 ago 2019 12:35Atualizado em: segunda-feira, 19 ago 2019 12:44
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Pierluigi Piazzi: "Ler é musculação para o cérebro"

Pouco mais de 320 brasileiros fazem parte de uma organização que reúne apenas pessoas de alto Q.I. Ela é voltada exclusivamente à identificação e cultivo da inteligência humana, para o benefício da humanidade, e à pesquisa sobre a natureza, características e usos da inteligência. A Mensa tem mais de 100 mil membros, em mais de 100 países. Não há nenhum tipo de distinção ou restrição para novos sócios, a não ser o alto Q.I. Dela fazem parte estudantes de 16 anos, engenheiros, médicos, educadores, advogados, analistas de sistemas e até músicos, como o vocalista do Ultraje a Rigor, Roger. O professor Pierluigi Piazzi, que faleceu em 2015, era formado em Física e Química, e se dedicava também, com muito humor mas de forma séria e incisiva, ao estudo da Inteligência. Em 2008 ele me concedeu esta entrevista que acho uma das mais interessantes que já fiz.

É possível definir inteligência? A primeira grande dificuldade é exatamente essa. Mas, ao contrário do que muita gente imagina, o teste de Q.I. não mede a inteligência, mede o Quociente de Inteligência. Ou seja, a faceta mais estrutural, o alicerce, que é, simplesmente, saber descobrir regras. Você pergunta para o cara: ‘‘1,2,3,4. O que vem a seguir?’’ Você não diz nada sobre sucessão dos números inteiros, não explicita nada. Se o cara responder 5, demonstra que ele apreendeu que havia uma sequência. Aí, você aumenta a dificuldade: ‘‘1,3,5,7. O que vem a seguir?’’. E o cara diz 9. Às vezes, nem sabe que seguiu a sequência dos números ímpares, mas, instintivamente, descobriu uma regra. Você pode complicar a coisa cada vez mais. E quanto mais ele souber resolver questões cada vez mais complicadas, com regras cada vez mais complexas, mais inteligente ele é. É isso que o teste de Q.I. detecta: a habilidade que o cidadão tem de descobrir regras.

Essa capacidade vem de berço ou é resultado de fatores externos? Existem estudos que mostram que filhos de pais inteligentes costumam ser mais inteligentes do que a média. E outros estudos provam que isso é verdade mesmo que os filhos sejam adotivos. As crianças realmente nascem com potenciais diferentes, porque isso depende de uma série de fatores. Você pode identificar gente com potencial elevadíssimo que, por viver em um meio cultural muito pobre, jamais chega a desenvolver esse potencial. Outros, que não nascem tão aptos, mas vivem em um ambiente extremamente estimulante, acabam por ultrapassar os primeiros. Há uma grande verdade: inteligência se aprende. O pontapé inicial é dado pela genética, mas isso não garante muita coisa.

Existem características que os pais podem identificar nas crianças que indiquem um alto Quociente de Inteligência? Dá para descobrir isso facilmente. É só ver o quanto a criança é precoce, o quanto ela age e reage de forma mais madura do que sua idade exige, ou quanto seu raciocínio, sua capacidade de se adaptar a novas situações é rápida. Detalhe: quando crescer, essa criança não irá necessariamente se tornar um adulto mais inteligente do que a média. Ela simplesmente tem uma curva de desenvolvimento mental mais acentuada. É claro que, se estiver em um meio cultural estimulante, estará partindo com uma vantagem muito grande. Mas é relativo: Einstein, por exemplo, não nasceu com essa facilidade. Ele tinha sérios problemas, só aprendeu a falar aos 4 anos, ia muito mal na escola.

Como Einstein, quase todas as crianças muito inteligentes são vistas como problemáticas. Por quê? Justamente porque são anormais e, como todo anormal, são excepcionais. Existe um padrão de comportamento entre as crianças. A que é muito inteligente foge desse padrão e, assim, todas as regras que eram válidas para conseguir certos efeitos, no caso dela deixam de ser. Então, a criança realmente se torna um problema. O pior de tudo é que o sistema escolar parte do princípio de que a atividade escolar é coletiva. O que acaba acontecendo? Dentro de uma classe cheia de crianças com desenvolvimento normal, essa criança certamente vai criar problemas. E depois, quando jovem, também. O que faz esse adolescente? O que todo mundo demora 50 minutos para aprender, ele aprende em 5, e passa os outros 45 enchendo o saco da humanidade. Pode se tornar, até, alguém muito agressivo. E, claro, hostilizado pelos professores, o que só piora a situação.

E qual o papel dos pais? Eles exercem papel fundamental no desenvolvimento da inteligência dos filhos? Como podem estimulá-los? Os pais exercem, como muitos devem desconfiar, um papel fundamental. Mas há um problema: essa ajuda é tanto mais eficaz quanto mais precoce e contínua. Uma revista francesa foi processada pela associação dos astrólogos porque publicou uma matéria dizendo que astrologia não servia para nada. Para se defender, fez uma pesquisa com milhares de pessoas e chegou à conclusão de que astrologia não tem, mesmo, influência nenhuma sobre absolutamente nada, a não ser em uma característica: as crianças nascidas sob os signos de Capricórnio, Aquário e Peixes têm Q.I. mais elevado. Foram então investigar o porquê e chegaram à conclusão de que quem nasce sob esses signos, por lá, nasce no inverno, época em que os pais saem menos de casa e na qual o nenê tem a presença dos pais durante mais tempo. Essa presença, mesmo numa idade tão tenra, é estimulante a ponto de determinar o nível de inteligência que ela terá no futuro. A criança tem que ser estimulada. Mas não superestimulada, porque senão vira uma neurótica.

Qual a melhor atitude para os pais que descobrem ter um superdotado em casa? O excesso de atividades não acaba prejudicando mais do que ajudando? Os pais confundem qualidade com quantidade. Entopem a criança de compromissos. É preciso que as atividades sejam estimulantes de verdade. Normalmente, uma criança inteligente é muito curiosa e procura coisas novas para aprender. Um exemplo de atividade boa: leitura. Criança inteligente tem que ser alimentada com muito mais livros. Mas é preciso tomar cuidado para não deixar de fornecer também atividades físicas. A chave do sucesso está no estímulo contínuo. É preciso inventar coisas, descobrir do que a criança gosta e explorar isso, colocar na aula de teatro, mandar fazer cursos diferentes.

Nesse cenário, a escola ajuda ou atrapalha? O método baseado na memorização não pode desestimular ou até diminuir o potencial de uma criança? A escola muitas vezes atrapalha. Na realidade, a única coisa que a escola deveria ensinar é Inteligência. Deveria haver uma única matéria na escola, chamada Inteligência. E essa inteligência deveria ser ensinada da seguinte forma: pegar uma criança e, gradualmente, transformá-la num autodidata. Isso funciona com qualquer criança, não só com as superdotadas. Imagine que monto uma escola voltada exclusivamente ao ensino das cores e contrato professores daltônicos. Como consigo que a escola ensine inteligência, se a maioria das pessoas que trabalham lá não está preparada para isso?

Os métodos de ensino nivelam as crianças? O que acontece é que a escola não só não reconhece a inteligência individual como chega a castrá-la. As mais inteligentes do que a média são reprimidas. Outra coisa a se comentar é justamente essa coisa de decoreba: as crianças armazenam informações sem o menor sentido, fora de contexto. Decoram, não raciocinam, não refletem e não aprendem a pensar por conta própria.

O senhor falou da leitura. Qual é a importância deste hábito? Existe um tipo de leitura melhor que os outros, ou seja, é preferível ler livros a jornais ou revistas? O melhor livro que o sujeito lê é o livro que fala sobre aquilo que ele gosta. Porque se ele lê o que gosta, lê muito e, neste caso, a quantidade conta tanto quanto a qualidade. Quando a criança lê muito, acaba criando em seu cérebro mecanismos de codificação e decodificação extremamente sofisticados. A tal ponto que, num dado momento, ela pode se permitir ler coisas mais áridas, mais complicadas, mais difíceis, e mesmo assim consegue absorver e entender o que está lendo. O conselho que dou é: ler muito. Mesmo que isso signifique, num primeiro momento, ler Júlia, Sabrina, Harry Potter, Agatha Christie.

A tecnologia atrapalha? A Internet, por exemplo, aumenta a capacidade de raciocínio ou só dá conhecimento vazio? As duas coisas. Na universidade há um monte de professores que dão aulas nos cursos de Ciências da Computação e Engenharia da Computação, que se formaram utilizando um computador que custava menos de US$ 100, o famoso TK-82. Era um computador que exigia que o sujeito fizesse seus próprios programas. Quando o Windows foi lançado, escrevi um artigo dizendo que a humanidade havia regredido ao tempo dos hieróglifos. Parou-se de escrever e voltou-se a usar figurinhas. Essa simplificação, cada vez maior, só torna o cérebro cada vez mais preguiçoso.

Mas aí não depende de como o computador é utilizado? Sim. Usada da maneira correta, a Internet é fantástica. Agora, se a criança entra na Internet para usar o bate-papo, para escrever errado de propósito, usando naum no lugar de não, para criar uma gíria própria e assim provar que é um adolescente modelo Malhação, a Internet ajuda, e muito, a diminuir o Q.I.

Isso também se aplica a outros meios? É claro. Videogames, por exemplo: há jogos em que o sujeito tem que ser inteligentíssimo e outros que são de uma idiotice total, em que a pessoa tem apenas que ter reflexos rápidos para matar a maior quantidade de inimigos.

Mas há quem defenda que os jogos de computador ajudam a estimular a rapidez de raciocínio e a capacidade de analisar inúmeras variáveis antes de tomar uma decisão… Concordo plenamente. O RPG é um exemplo. Há os que jogam de forma tão séria que precisam ler muito, absorver conhecimentos profundos de assuntos variados para se documentar a respeito do jogo. Neste caso, o RPG é utilíssimo. Outros entram no RPG como forma de fugir da realidade. Tudo depende, inclusive, da orientação da família. O cara diz: ‘‘Meu filho é muito esperto, fica horas na frente do computador’’. Aí, você vai ver e o moleque está há três meses paquerando uma tal de Flor do Mal… Aí não ajuda…

É possível que alguém que não recebeu os estímulos adequados na infância se desenvolva bastante depois de adulto? Sim, é possível, mas isso vai exigir um esforço cada vez maior. Quanto mais precocemente o estímulo vier, melhores os resultados. A faixa de alunos com a qual trabalho no cursinho é composta por jovens com o cérebro supostamente cristalizado, já que os recebo aos 16, 17, 18 anos. Muitos deles eu vejo que estão em situação intelectualmente catastrófica e, depois de 10 meses de alta motivação, o camarada entra no ITA, na USP. Isso mostra o quê? Que havia todo um potencial reprimido, não estimulado.

A inteligência da humanidade está aumentando ou diminuindo? Inteligência se aprende e também se desaprende. Aumenta ou diminui de acordo com os hábitos. Quanto mais tempo a pessoa passa em atividades estimulantes, melhor fica a sua capacidade de reflexão e raciocínio. Por outro lado, a maior parte das pessoas usa os poucos momentos de folga do trabalho para descansar também a cabeça, deixando que a tevê diga o que pensar e o que sentir. Assim, o cérebro se acostuma a ficar quietinho, sem incomodar.

A culpa é da televisão? A televisão fez a humanidade desaprender o Q.I. e é um dos fatores de desagregação mental. A humanidade tem ficado cada vez mais burra, principalmente porque é muito mais fácil ligar uma televisão do que ler um livro. Hoje, no Brasil, temos 82% de analfabetos funcionais. Gente que até sabe transformar letras em sons, mas certamente não em idéias.

Há como reverter essa tendência? Há necessidade urgente de que se criem instituições que cuidem dos excepcionais positivos. Dos negativos também, mas não só deles. Os excepcionais positivos não precisam ser marginalizados, colocados à parte. Têm que frequentar a própria idade cronológica, mas também atividades de qualidade, que façam com que se desenvolvam. E é preciso reformular todo o sistema educacional, para dar a mesma chance a todas as crianças.

Como se deu, no seu caso, a descoberta da inteligência acima da média? Eu diria que foi a partir da leitura, de muita leitura. Descobri que me dava muito bem, melhor do que meus amigos, em matérias como Latim e Matemática, mas nunca achei que tivesse nada de excepcional até fazer um teste de Q.I. e receber um resultado bem acima da média. Mas não me acho superior a ninguém, pelo contrário: prefiro achar que eu é que sou normal e que os que não chegaram a esse ponto é que são fora do comum.

Por quê? Porque todos poderiam ter chegado onde cheguei, mas é muito mais simples fingir que é inteligente do que realmente se dedicar para se tornar inteligente. Se as pessoas gastassem metade do tempo que gastam fingindo que são inteligentes trabalhando para se tornar realmente inteligentes, o mundo seria povoado por gênios.

A Mensa utiliza resultados de testes de Q.I. como forma de admissão, mas há os que dizem que há várias formas de inteligência e que os testes não conseguem contemplar todas. O que o sr. acha, por exemplo, do conceito de Inteligência Emocional? Considero Inteligência Emocional uma contradição, a mesma coisa que um triângulo quadrilátero. Se é inteligência, não é emocional, e, se é emoção, não é inteligência. O que o pessoal que defende essa tese confunde é o seguinte: existe um conceito, muito bem estabelecido, de Inteligências Múltiplas, dos vários módulos cognitivos. Existiriam sete ou até oito inteligências múltiplas independentes. Uma única destas inteligências é a conhecida como Interpessoal, que mede a capacidade que o sujeito tem de manipular e liderar outras pessoas. Mede o carisma, no fundo. É essa inteligência, que o pessoal chama de emocional, que, além de ser apenas um tipo, não tem nada a ver com emoções, mas com manipulação de emoções. A Mensa não mede nenhum desses vários tipos de inteligência, mede o que é subjacente a todas, que é o que falei no início: a habilidade para aprender regras, a capacidade da pessoa de compreender e se adaptar.

 

 

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  • Publicado por: Gustavo Klein
  • Postado em: segunda-feira, 19 ago 2019 11:44
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Sidney Sheldon: "Meus livros fazem sucesso porque meus personagens parecem gente de verdade"

Ele vendeu mais de 350 milhões de livros. Ganhou um Oscar, um Tony, tem uma estrela na Calçada da Fama de Hollywood e criou uma das séries de tevê mais conhecidas do mundo (Jeannie é um Gênio): Sidney Sheldon, aos 86 anos, está mais na ativa do que nunca. Escreve dois romances (um deles uma autobiografia). Nesta entrevista, ele fala de sua carreira no cinema, na tevê e na literatura e conta histórias de seus mais de 70 anos no showbiz. A entrevista foi feita em 2003 para o jornal A Tribuna

Como o sr. começou sua carreira e o que o levou a isso? Vendi meu primeiro poema quando tinha 10 anos. Eu sempre soube que queria ser um escritor, acho que o talento vem de Deus e todos os que possuem algum talento, seja na literatura, na pintura ou na música, não deveriam levar o crédito por isso, mas sim agradecer por esse dom de Deus.

Quais de seus romances o sr. considera os melhores? São três os que tenho mais carinho: O Outro Lado da Meia Noite, O Mestre do Jogo e Se Houver Amanhã.

Qual é, na sua opinião, a razão para seus livros venderem tanto? É simples: acho que meus livros vendem bastante porque meus personagens parecem pessoas reais. Eu penso em mim mesmo ao escrever, no que eu gosto e no que acho que julgo ser o mais natural possível e acho que, por consequência, os leitores sentem a mesma familiaridade.

Como vive o homem Sidney Sheldon? Eu e minha esposa Alexandra nos dividimos entre nossas casas em Los Angeles e Palm Springs, na Flórida. Recentemente, vendemos uma casa que tínhamos em Londres, porque não tínhamos muito tempo para ir lá. Compramos essa casa, um bonito duplex, de Andrew Lloyd Weber. Nós gostamos muito de viajar, já visitamos mais de 90 países.

Qual é seu ritmo de trabalho? Começo, normalmente, às 9 da manhã e trabalho até as 18 horas. Quando tenho insônia (o que é muito comum), vou para o escritório e passo muitas horas da madrugada escrevendo, também. Trabalho sete dias por semana.

Sem descanso? Mesmo encarando com toda seriedade, não vejo o que faço como trabalho, no sentido ruim da palavra. Faço o que gosto e porque gosto.

E seus gostos pessoais em literatura, música e cinema, quais são? A lista dos meus autores favoritos inclui nomes como Thomas Wolfe, Sinclair Lewis, Booth Tarkington e George Bernard Shaw. Em relação a música e cinema, prefiro os artistas — e as obras — com os quais cresci: os filmes dos anos 40 e 50 e músicos como Jerome Kern, Cole Porter, George Gershwin e Irving Berlin.

Não faz muito tempo que o sr. escreve livros para crianças. Como surgiu essa idéia e quais são as diferenças de estilo entre o píblico adulto e o infantil? Não vejo diferenças fundamentais. O básico, tanto em relação às crianças quanto aos adultos, é que a história deve ser excitante e os personagens interessantes o suficiente para prender a atenção. Escrevi meu primeiro livro infantil porque meu editor no Japão achava que as minhas histórias eram tão envolventes que as crianças gostariam de lê-las.

Escrever é uma questão de inspiração ou estudar ajuda? Ah, 100% de inspiração, a transpiração é consequência. Não há possibilidade de que alguém sem idéias consiga produzir algo de qualidade.

Seu primeiro trabalho foi uma peça de teatro, quando o sr. tinha 12 anos. Qual era o tema desta peça e como ela foi feita? Minha professora de Inglês leu essa peça quando eu tinha 12 anos, mas ela foi escrita um pouco antes. Ela gostou muito e me disse que gostaria de encená-la. Eu, claro, fiquei muito entusiasmado. Acho que ela gostou muito mesmo, porque convidou todos os alunos da escola para assistir, no auditório, a encenação. Eu fui o produtor, o diretor e, claro, escalei a mim mesmo para o papel principal. Era uma história de detetive. Quando chegou minha vez de entrar no palco, entrei em pânico e comecei a rir sem parar. A professora me chamou em um canto e tentou me acalmar, em frente àquele auditório enorme, mas não conseguiu. A peça nunca foi encenada.

E a televisão, como apareceu? Comecei a escrever para televisão por acaso. Meu agente me pediu para criar um seriado de tevê para o ator Patty Duke, que acabara de ganhar um Oscar pelo filme The Miracle Worker. Criei The Patty Duke Show e, em seguida, Jeannie é um Gênio. Escrevi os episódios das duas séries ao mesmo tempo, por muito tempo.

Como foi trabalhar em Jeannie é um Gênio, um dos sitcoms (Situation Comedy, seriados cômicos) mais conhecidos da tevê em todo o mundo? Produzir Jeannie é um Gênio foi uma experiência maravilhosa. Eu tinha um elenco excepcional e tive o mérito de contratar os melhores diretores disponíveis.

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Os primeiros episódios da série foram ao ar em preto e branco, mas na época a tevê a cores já existia. Por que essa opção?
 
Não foi uma opção, até hoje não entendi direito como isso aconteceu. No ano em que Jeannie foi ao ar, todas as estações de tevê já tinham migrado para o sistema em cores. Naquele ano, apenas dois seriados foram produzidos em preto e branco. Um era um drama de guerra e o outro, Jeannie. Perguntei ao estúdio o porquê disso e recebi, como resposta, o argumento de que produzir em cores era muito caro, custaria alguns milhares de dólares a mais por ano. Fiquei tão atônito com essa resposta que até me coloquei à disposição para pagar, do meu bolso, essa diferença. Os executivos de estúdio me aconselharam a não me preocupar, que provavelmente não haveria uma segunda temporada. Bem, o resto da história todo mundo sabe: Jeannie foi ao ar por cinco temporadas e hoje, 40 anos depois de sua estréia, ainda é sucesso no mundo inteiro, tendo suas reprises exibidas em inúmeros países, inclusive no Brasil.

Como o sr. chegou a Hollywood? Comecei escrevendo filmes, na verdade. Cheguei a Hollywood com 17 anos. Havia oito grandes estúdios, na época, e cheguei aos portões de cada um deles e me apresentei aos guardas: “Olá, sou Sidney Sheldon e quero ser escritor”. E, como sempre acontece, não consegui falar com ninguém. Foi durante a depressão, saí de Chicago para Hollywood e minha mãe havia me dado três semanas para arrumar um emprego ou voltar pra casa. Então, ouvi falar em uma coisa engraçada: leitores que faziam sinopses reduzidas de livros, para produtores de cinema ocupados. Fiz uma, de Mice and Man, e mandei para os estúdios. Três dias depois, estava trabalhando na Universal, ganhando US$ 17 por semana, fazendo o mesmo trabalho de ler e transformar livros em sinopses. Além disso, aproveitei para escrever meus próprios trabalhos. Os quatro primeiros foram deixados de lado, o quinto foi vendido e então me tornei roteirista, aos 18 anos.

No cinema, o sr. chegou a trabalhar com a dupla Jerry Lewis e Dean Martin antes deles se tornarem famosos. É de conhecimento público que eles não se davam nada bem fora das telas. Como foi essa experiência? Foi muito interessante trabalhar com Dean Martin e Jerry Lewis. Mesmo sendo conhecida sua antipatia mútua, ambos se comportavam muito bem no set. É conhecido de todos também que Jerry era muito controlador e Dean, um boa praça. No primeiro dia de filmagem de You’re Never Too Young, nós tínhamos uma leitura do script com o diretor, o elenco e eu. Quando terminamos, o diretor disse: “Alguma pergunta”? Dean Martin levantou-se e disse: “Não, tudo está muito bom, tenho um jogo de golfe marcado e tenho que ir”. E foi. Jerry Lewis, ao contrário, disse que tinha algumas perguntas e, pela hora seguinte, ficamos lá, discutindo todos os aspectos: ângulos de câmera, iluminação, a direção e o roteiro.

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Por que sua carreira de diretor não decolou?
Seria uma opção pela literatura?
Minha carreira de diretor não decolou porque eu não era muito bom, mesmo. Acredito que devemos investir nosso tempo naquilo que somos realmente bons, porque assim, as chances de sucesso são muito maiores. Mas é claro que a minha preferência são os livros.

Mesmo em relação ao teatro? O sr., que tem experiência no teatro, televisão e cinema e literatura, prefere o quê? Escrever um livro é uma experiência bem mais livre. E mais pessoal, também. Quando escrevo um roteiro para cinema, tenho centenas de colaboradores. Em um livro, a obra é totalmente minha. Há um senso maior de liberdade, porque você cria os personagens e faz o que quiser com eles. Tem o poder de decidir quem vive e quem morre. Acho esse tipo de processo criativo extremamente estimulante.

O sr. recebeu os dois prêmios mais importantes do cinema e do teatro, o Tony e o Oscar. Tem uma estrela na Calçada da Fama de Hollywood. Vendeu mais de 300 milhões de livros em 181 países, traduzidos para 51 idiomas. Os estúdios usam seu nome para promover um filme, como sinônimo de qualidade. A que atribui esse enorme sucesso? Acho que meu sucesso tem uma explicação: escrevo sobre emoções, um tema de interesse universal. Ainda tenho a impressão de que tudo isso é um sonho. Quando The Naked Face, meu primeiro livro, foi publicado, achei que iria bater um recorde da indústria: seria a primeira vez que um livro não venderia nenhuma cópia. Para evitar isso, fui até a livraria e comprei um exemplar. Desde esse dia, sempre que um novo livro meu é colocado nas livrarias, visito uma e compro uma cópia.

Normalmente, seus personagens principais são mulheres, sempre muito fortes e que lutam contra tudo e todos em nome de seus objetivos. Essa é realmente sua visão sobre as mulheres? Odeio aquele clichê da ‘loira burra’, que diz que se a mulher é bonita, deve ser pouco inteligente. Por isso escrevo livros em que a personagem é, além de bela, boa em tudo o que faz. Minha mãe era uma mulher assim. Minha primeira esposa, Jorja, que morreu, era assim, tanto quanto minha esposa Alexandra.




 

 

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  • Publicado por: Gustavo Klein
  • Postado em: quinta-feira, 15 ago 2019 16:49Atualizado em: quinta-feira, 15 ago 2019 16:56
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Chu Ming, uma chinesa muito brasileira que inventou o orelhão

Em tempos de celular os telefones públicos são cada vez mais raros nas paisagens urbanas. Mas já foram ícones de design. E hoje celebra-se o aniversário de nascimento da arquiteta chinesa Chu Ming, nascida em Xangai neste mesmo 4 de abril e falecida prematuramente, aos 56 anos, em 1997, em São Paulo.

Os orelhões criados por Chu Ming em 1971 hoje podem ser encontrados em diversos países do mundo, inclusive na própria China. Aliás, os nomes oficiais dos protetores telefônicos são Chu 1 e Chu 2, em homenagem à sua criadora.

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  • Publicado por: Gustavo Klein
  • Postado em: quinta-feira, 15 ago 2019 12:30Atualizado em: quinta-feira, 15 ago 2019 12:31
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Em West Side Story, a dança é fundamental para a narrativa. Filme é o segundo maior vencedor da história do Oscar, com 10 estatuetas

A dança ocupa um lugar de destaque em West Story. Mais do que em outros musicais. É parte integrante da narrativa e, por isso mesmo, a Academia resolveu, em 1961, premiar tanto seu diretor Robert Wise quanto o coreógrafo Jerome Robbins com o Oscar de direção. Um dos 10 prêmios Oscar que o filme levou, incluindo aí o de melhor filme.

Aqui, a canção America, em que os porto-riquenhos se dividem. As mulheres adoram morar nos Estados Unidos e os homens falam dos problemas de ser um imigrante latino em Nova York. Percebam a dança, as referências até de balé clássico e o quanto elas "complementam" o que se fala. Os protagonistas - Rita Moreno e George Chakiris - também ganharam o Oscar de atuação.

Um verdadeiro clássico que agora Steven Spielberg já começou a refilmar (ainda não sei bem o que achar disso)...

 

 

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  • Publicado por: Gustavo Klein
  • Postado em: quinta-feira, 15 ago 2019 12:22
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